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    Lágrimas da Vida - Sorriso da Morte

    Xiguiana da Luz

    Edições Fundac
    2012
    64 páginas
    2h 8m
    ISBN-19: 0000000000000000000
    Português
    5
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    Palavras de Rubervam Du Nascimento: "(...) Xiguiana da Luz que encaminhou este livro com o seguinte e-mail: "ando com muito medo. Medo de ser poeta e de me entregar ao mundo. Refiro-me a edição de um livro meu. Isso mesmo. A minha obra foi aprovada para receber um financiamento, de modo a ser lançada no primeiro semestre de 2012" "(...) A poesia de Xiguiana da Luz provoca o enigmático, o paradoxal, o subjectivo. Faz segredo para melhor traduzir em versos o espírito nervoso do nosso tempo" (...)... Teresina-PI, 31 de março de 2012

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    Valdeck Almeida de Jesus19/11/2012Resenhou um livro
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    As lágrimas da vida, sorriso da Morte: um paradoxo entre a vida, a morte e Xiguiana Luz - Por: Lázaro Bamo

    Foi com grande honra que recebi a proposta de servir o wellcome drink do lançamento da primeira obra literária de Dodoca, nome com que é chamado Eduardo Quive nas ruas de Patrice Lumumba, mas que por medo da morte e do que ele mesmo escreve, prefere que nas lides literárias seja chamado Xiguiana da Luz. Eu já li o livro dele em vários momentos, até antes dos versos desta poesia sinistra passar para o papel; eu li esta poesia nos gestos e discursos de Dodoca, ou seja Xiguiana da Luz, quando com ele trocava impressões em vários momentos no bairro Patrice Lumumba e nos deadline do programa Matolinhas, que ele chegou a colaborar; eu li este livro nas actividades culturais que este jovem oriundo de Patrice Lumumba, levava a cabo na Escola Secundária da Zona verde, arredores do Município da Matola. Um aspecto relevante que pode estar por detrás desta escolha de Dodoca, Lágrimas, Morte, Sorriso, Vida, etc, é a morte do seu pai que aconteceu este ano. Paz a alma do malogrado. A morte do pai do Dodoca acontece numa altura em que este autor também deseja partir. Talvez a questão seja, porque uma apresentação sobre a morte do poeta e do seu progenitor? Esta é questão que os leitores farão a si mesmos e ao Xiguiana da Luz, porque nesta obra e pelas vertentes de abordagem sobre uma das fases mais cruciais da vida humana, a morte, Eduardo Quive nos leva a conhecer os dois lados da nossa existência num sentido poético repleto de sangue e terror. Porque sangue? Quive vem escrevendo este livro já há alguns anos. Nos passeios e conversas dizia que escrevia sobre a morte, e em algum momento sentía-se que ele tinha olhos postos a precária saúde do pai, relatam os amigos mais próximos. Aí está um fenómeno de maior destaque na poesia deste jovem, a perspectiva profética do seu pensamento. Dodoca, ou seja Xiguiana da Luz teve a sorte como muitos de nós, de crescer na Matola peri-urbana e ver e viver a solidão de muitas pessoas acompanhadas; teve sorte de ser vizinho da Matola rural e assistir a cerimónias fúnebres nos cemitérios familiares espalhados por Singathela, Bedene, Bunhiça, São Dâmaso entre outros bairros do Município da Matola. Uma pergunta se levanta em mim, ainda que a resposta seja óbvia! Terá sido esta realidade, que deu inspiração para que Xiguiana da Luz, escrevesse sobre a vida e a morte? No livro ele nos responde, no poema intitulado Miserável, onde fala do Manuelito, um louco do seu bairro Patrice Lumumba e lúcido em qualquer lugar. Dodoca, envoca a morte, a vida, o medo e a incerteza para destilar a sua triste sina, que já o fez experimentar tantas mortes e tantas dores; ele não nos convida a amar a vida, mas sim a descobrir o prazer e a paz que se encontra na morte, ele auto se proclama um pré-falecido e diz que, sua alma foi possuída por espíritos da verdade, está engajada em sentimentos reais, foi engolida pela imaginação onde habita o milho da caridade. Devido a obcessão pela morte, Dodoca, ou seja, Xiguiana da Luz, chega a fazer uma pergunta terrivel para qualquer mãe que carrega amor pelos seus filhos: Mãe, quando é que vou morrer? De certeza que a mãe irá dizer nunca, jamais, ou pelo menos que ela será a primeira. Ele não sente o prazer de viver, e aventura-se em sonhos filósoficos, sonha como o Hiperurâneo de Platão! Diz ele, e passo a citar: Queria ser assim: Negrinho de cor azul, em pele vermelha, num mundo verde. Dodoca goza de liberdade de escolha e tem os seus motivos e argumentos, de tantos ente queridos que se foram ele aguarda desesperadamente na fila, para que o seu julgamento seja feito o mais rapidamente possível, ele quer se livrar da dor de esperar o tal dia que demora chegar, quer ser julgado imediatamente pelo poder divino e desabafa num dos poemas, intitulado Quando eu Morrer, quando diz e passo a citar: Metam-me com urgência na terra faminta que me vai comer com gosto; entreguem-me de imediato a justiça divina... Quer se juntar aos cardosos, craveirinhas e aos amin que tão cedo partiram desta terra. Além, de envocá-los no seu testamento paupérimo, que não tem nada além de versos escritos sobre o papel, Dodoca escreve no mesmo poema, ou seja, Quando eu Morrer, e passo a citar: Levai a minha amada para os homens; Os meus filhos que fiquem com o além; Levai os meus escritos para o povo; O que sobrar que seja para quem quiser. Vejo nos poemas de Dodoca, que ele já morreu várias vezes, ele se declara um pré-falecido e para William Shakespeare, Xiguiana da Luz seria cobarde, porque segundo Shakespeare, Os cobardes morrem várias vezes antes da sua morte, mas o homem corajoso experimenta a morte apenas uma vez. Sigmund Freud, ficaria feliz com a atitude de Dodoca, pois dizia ele que, Se quiseres poder suportar a vida, fica pronto para aceitar a morte. E Dodoca está pronto para a morte, então as suas costas estão preparadas para carregar o peso da responsabilidade que apartir de hoje passa a ter, terá que dignificar o que escreve com actos e palavras e espero que no próximo livro possamos dessipar o paradoxo que norteia, a vida, a morte e os seus versos. Xiguiana da Luz quer fugir da hipocrisia do mundo onde ele vive, mundo este que faz com que os manuelitos, sejam criaturas solitárias ainda que bem acompanhadas. Sobre esta fuga, Confuncio, alerta, Para quê preocuparmo-nos com a morte? A vida tem tantos problemas que temos de resolver primeiro. E eu concordo com Confúcio! Dodoca, resolva todos problemas do mundo e depois faça boa uma viagem. Lázaro Bamo é jornalista de profissão com carreira feita na Rádio Moçambique mas com colaboração em semanários como, Savana, Magazine Independente, Zambeze, @Verdade. Actualmente é Técnico de Comunicação no Centro de Apoio à Informação e Comunicação Comunitária – CAICC, um projecto do Centro de Informática da Universidade Eduardo Mondlane, que apoia as rádios e centros multimédias comunitários de todo País

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