A civilização ocidental se constitui a partir da exclusão das mulheres: o feminino pode ser considerado o outro historicamente negado e recalcado, não apenas a partir do que se convencionou chamar "dominação masculina", mas também por uma forma de sociabilidade que de contitui a partir do domínio da natureza, seja do mundo real ou da natureza "dentro de si". Por isso, a positivação da feminilidade pode ter longo alcance como crítica da cultura e levar às últimas consequências a tese freudiana do "mal-estar na civilização". Esta é uma possibilidade que a experiência feminina traz consigo, presentificando, assim, na crise da modernidade, a potencialidade do novo. É o que este livro pretende: um novo pensamento sobre a diferença, que se faz pelo deslizamento entre a idéia de feminino e de singular, condensando assim o que sempre foi excluído, em nome do princípio de identidade.
