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    PanAmérica -

    José Agrippino de Paula

    Papagaio
    2001
    264 páginas
    8h 48m
    ISBN-11: 8588161028_
    Português Brasileiro
    3.8
    42 avaliações
    Leram70Lendo12Querem192Relendo0Abandonos7Resenhas5
    Favoritos7Desejados192Avaliaram42

    Epopéia escrita em fragmentos ao longo de três anos, PanAmérica utiliza celebridades da sociedade moderna, facilmente reconhecíveis, que surgem numa sucessão de imagens e cenas. Os mitos da cultura de massa vão sendo, um a um, desconstruídos: atores (Marylin Monroe, Marlon Brando, John Wayne, Humphrey Bogart, Burt Lancaster); esportistas (Cassius Clay, Joe Di Maggio); cantores (Frank Sinatra, Charles Boyer); políticos (Che Guevara, Martin Luther King, Charles De Gaulle), entre outros, aparecem na filmagem fantástica e monumental de uma versão da Bíblia Sagrada em Hollywood. Com uma narrativa veloz, sem diálogos ou interpretações, o livro não tem pausas nem parágrafos e suas interrupções funcionam como capítulos. Com essas características, PanAmérica continua sendo uma texto ainda não decifrado, uma criação vigorosa. Homenageado por Caetano Veloso na música Sampa (PanAmérica de Áfricas Utópicas…), um trecho do livro foi musicado por ele e Gilberto Gil e incluído no disco Doces Bárbaros (Eu e ela estávamos ali, encostados na parede). Caetano ainda dedica páginas de seu livro Verdade Tropical para revelar a importância que a presença de Agrippino teve na sua formação e do choque e desafio provocados pela leitura de PanAmérica. Lançado em 1967 e reeditado apenas em 1988, o livro ficou esgotado até 2001, mas sem deixar de ser estudado e cultuado em círculos acadêmicos e intelectuais.

    Edições (1)

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    Resenhas (5)Ver mais
    Diego Caldas Chaves picture
    Diego Caldas Chaves15/03/2014Resenhou um livro
    3 (Bom)

    um sonho imprevisível

    Há pessoas que ficam putas ao lerem livros como Panamérica, pois ficam procurando pela história, tentando entender o fio da meada, e como não conseguem, acham que a obra é ruim. Não necessariamente um livro precisa ser um romance com início, meio e fim, as vezes o autor pode querer experimentar. José Agripino de Paula faz isso, ele brinca com as imagens, com o onírico, se coloca como protagonista de uma porção de fatos que não se preocupam muito em serem verossímeis. Seu livro lembra um grande sonho, onde cenários e personagens vão se intercalando sem qualquer coerência com a realidade. As descrições são pormenorizadas, tanto das situações externas, quando dos sentimentos do personagem. Vergonha, medo, alegria, tesão, fúria, vingança, etc. Podemos acompanhar as pequenas nuances nas emoções do personagem, em um estilo admirável, um pouco cansativo às vezes, mas ainda assim admirável. O elemento que dá unidade ao livro é a cultura pop, a todo momento personagens, cenários e situações grandiosas da cultura pop atravessam a narrativa. De Marilyn Monroe à Che Guevara, de Beatles à Muhamed Ali, o autor conhece a todos, participa de todas as situações.

    3 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    3.8 / 42
    • 5 estrelas26%
    • 4 estrelas40%
    • 3 estrelas19%
    • 2 estrelas10%
    • 1 estrelas5%
    José Agrippino de Paula e Silva profile picture

    José Agrippino de Paula e Silva

    José Agrippino de Paula e Silva (São Paulo, São Paulo, 1937 - Embu, São Paulo, 2007). Romancista, cineasta e dramaturgo. Em 1955, ingressa na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU/USP), junto com o cenógrafo Flávio Império (1935-1985), transferindo-se em seguida para a Faculdade Nacional de Arquitetura da Universidade do Brasil, no Rio de Janeiro. Na nova faculdade envolve-se com o teatro e encena, em 1959, uma adaptação do romance Crime e Castigo, do escritor russo Fiodor Dostoievski (1821-1881), na qual trabalha como ator, diretor e cenógrafo. Retorna a São Paulo, em 1965, onde publica seu primeiro romance, Lugar Público. No mesmo ano, por intermédio do artista plástico José Roberto Aguilar (1941), conhece a bailarina Maria Esther Stockler (s.d.-2006), sua companheira por toda a vida. Em 1967, publica sua obra mais importante, o romance PanAmérica. Escreve e dirige em parceria com Maria Esther diversos espetáculos teatrais, entre os quais se destaca Rito do Amor Selvagem, de 1969. No mesmo ano, dirige o filme Hitler III Mundo. Pressionados pela ditadura militar, Agrippino e Maria Esther fogem do Brasil, em 1971, e passam a década de 1970 viajando pelo mundo e produzindo pequenos documentários, com uma câmera super-8. Nessa época, o escritor dedica-se ao romance Terracéu, sobre o qual há pouquíssimas informações. De volta ao país, em 1980, Agrippino é diagnosticado como esquizofrênico e passa a viver isoladamente no município de Embu, na Grande São Paulo. Até sua morte, escreve compulsivamente, em 173 cadernos numerados, outro romance, também inédito, chamado Os Favorecidos de Madame Estereofônica.

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    São Paulo, Brasil

    José Agrippino de Paula e Silva