Che Guevara, morto em 1967 sob balas dos militares bolivianos, transformou-se em lenda. Sua imagem, seu rosto, suas idéias percorrem campos e favelas da América do Sul, universidades e manifestações dos Estados Unidos e Europa. Estudante de medicina, combatente da Sierra Maestra, presidente do Banco Central cubano, teórico militar, ministro da indústria sua vida fulgurante e meteórica. O caráter extraordinário dessa vida explica o mito de aventureiro romântico, Robin Hood vermelho, Dom quixote do comunismo, Saint-Just marxista, Cid campeador dos Condenados da terra e dos guetos, cristo laico, San Ernesto de la Higueira venerado pelos camponeses bolivianos, "incendiário vermelho" acendendo por toda parte as brasas da subversão. Mas o sistema que tenta recuperar o mito não consegue "digerir" o revolucionário. por trás da aparência mítica, o que realmente ilumina e dá sentido á vida do Ché é a total coerência entre teoria e prática, palavra e ação. Só á luz dessa habitual de estadista de trocar um cargo ministerial em Cuba pela guerrilha boliviana, visando romper o isolamento da Revolução Cubana e abrir uma segunda frente em favor do Vietnã. Este livro, sem a preocupação de ser biográfico, dedica´se a explorar os limites dessa coerência, auto-impostos por Che e seus companheiros em seus derradeiros combates na Bolívia.


