histórias do bom deus -

    Rainer Maria Rilke

    7 (Sete) Letras
    2006
    109 páginas
    3h 38m
    ISBN-10: 8575770616
    Português Brasileiro

    “‘De onde vem a história que o senhor me contou recentemente?’ pediu afinal. ‘De um livro?’ ‘Sim’ – respondi com tristeza, ‘os eruditos a enterraram nele, desde que morreu; isso não faz muito tempo. Há cem anos ela ainda estava viva, certamente despreocupada, em muitos lábios. Mas as palavras que os homens usam agora, essas palavras pesadas, não cantáveis, eram inimigas da história e tiraram dela uma boca após a outra, de tal modo que no fim ela vivia só em uns poucos lábios secos, muito retirada e pobre, como em parcos pertences de viúva. Ali morreu, sem deixar descendentes, e como era previsível foi sepultada com todas as honras em um livro, onde outras de sua espécie já se encontravam.’”

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    Henrique Luiz Fendrich11/01/2019Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Pois o poeta Rilke também fez contos, como não? “Histórias do bom Deus” é um livro mágico e cheio de encanto. São histórias simples e bonitas ligadas entre si por meio do narrador, que as conta e, sempre, recomenda que sejam repetidas às crianças. Rilke dá grande destaque às crianças e à maneira como elas interpretam as histórias que conta. Mas, antes de chegar até elas, as histórias são contadas a gente como o paralítico Ewald, que passa os dias olhando pela janela de sua casa. Há em tudo muita poesia e, para mim, o ápice do lirismo e do maravilhamento está em “Como o dedal veio a ser o bom Deus”, conto que o narrador dirige às nuvens do céu e que fala sobre um grupo de crianças que sempre ouvia os pais falarem no “bom Deus”, mas sem nunca o avistarem. Ora, se o bom Deus não aparecia entre os adultos, era um bom sinal. As crianças resolveram elas próprias tomarem conta do bom Deus, mas precisavam escolher um objeto para personificá-lo. Depois de todos esvaziarem os seus bolsos, decidiram que o bom Deus seria um dedal, porque era brilhante e muito bonito. A partir de então, elas se revezavam: cada dia o bom Deus ficava no bolso de um deles. Ambientes semelhantes aparecem em outros contos, até “Uma história à escuridão”, que é existencial e traz dores da infância, não sendo recomendável às crianças.

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