O arco e a lira -

    Octavio Paz

    Cosac Naify
    2012
    352 páginas
    11h 44m
    ISBN-13: 9788540502550
    Português Brasileiro

    Um dos livros-chave para a compreensão da experiência poética e da poesia de todas as épocas e matizes, O arco e a lira (1956), de Octavio Paz, Prêmio Nobel de Literatura em 1990, é também um relato a um só tempo rigoroso e apaixonado das possibilidades da linguagem e da imaginação. Paz esmiúça cada aspecto do fazer poético com argumentação original e exemplos de rara erudição, o que resulta num livro inspirado e inspirador, que escapa dos limites acadêmicos e atinge também o leitor não especializado.

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    Rômulo Lopes17/07/2018Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    | A sedutora intermitência |

    Escrever sobre "O arco e a lira", de Octavio Paz, é ser redundante, é caminhar perigosamente pela vida ou pela alta voltagem quando andamos pela via poética. Aliás, não existe tal via. Tudo é o nada poético, e, portanto o é. Da vida sobra a morte, e desta algo brota mais periclitante que sua ordem, a permanência de olhos bem abertos. Paz soube atingir o ápice do que é poesia quando enxergou, e nos mostrou, qual seu inenarrável princípio e seu cúmulo tardio. Entrar nestes ensaios que compõe tal obra magnânima não é investigar e conhecer a poesia, é sentir o pulso da existência, do acordar e sonhar, sem interrupções. Esta obra é um grito alertando o que somos, de onde evaporamos e para que morremos. O arco e a lira nos contamina de nós mesmos. É o se deparar com o reflexo de nossos espelhos pela única via permeável: o desencontro da prosa, a harmonia no caos, a religião solitária de vínculos dos objetos e deuses, que mesmos com significados e nomes, berram por novos substantivos clareados. A vida é possível quando encontramos esse diálogo poético. Retirar a prosa e evitar o abandono da linguagem trás aos ouvidos luzes escuras, aos olhos melodiosos e a pele um subterfúgio das novidades de outrora que são únicas, aqui e hoje. Este estudo poético nada mais é que o estudo sobre a humanidade, sobre a habitação que cansa de viver mas não de tudo nomear, desde os sentidos aos mirabolantes vazios. Somos esses espectros de significados que a todo instante arde para se reconhecer. Muros que lamentam por uma poesia sem padrão, uma poesia única, individual, formosa. O que fazes quando o dia cai dentro destes arcos e liras? Octavio Paz responde com a nossa própria alma em um pequeno documento. Deixar nossas almas nestas páginas talvez seja o melhor caminho para existirmos hoje. Uma ode à poesia e a insistência do desejo de ser livre dentro da linguagem que nos cede vida, desejo e o mais difícil, o afago entre um espírito compulsivo e o fim.

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