A capoeira escrava e outras tradições rebeldes no Rio de Janeiro (1808-1850) -

    Carlos EugenioLíbano Soares

    UNICAMP
    2001
    610 páginas
    20h 20m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro

    Capoeiragem: rebeldia e habilidade negra no Rio. Livro do pesquisador Carlos Eugênio Libânio Soares documenta a evolução da capoeira no contexto político e social da então capital do Império na primeira metade do século XIX.

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    Igor Henrique Carvalho07/08/2013Resenhou um livro
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    A escravidão brasileira não foi a primeira, não foi a última e, sem sombra de dúvida, está longe de ter sido a pior. O Egito e suas pirâmides, em tempos bíblicos, foi construído ao custo da escravidão de muitos povos e etnias, dentre elas a judaica. Durante o Império Romano, após a vinda de Jesus Cristo, durante o reinado de Calígula, Nero, Júlio Cesar e outros, a escravidão também era comum. Comum e branca, pois eram escravizados principalmente os povos "bárbaros" da Europa que a civilidade romana ao custo de incontáveis guerras e mortes conquistavam. Os índios, divididos entre diversas tribos e completamente estranhos entre si, escravizavam-se; Tupis escravizavam Tamoios, Tamoios escravizavam Tupis e Aimorés matava a todos sem distinção. Na África de muitas tribos e nações, não era diferente: guerreavam, matavam-se, escravizavam-se, e quando o português chegou, necessitado de urgente mão de obra para a colonização e produção de uma terra conquistada maior do que toda a Europa, venderam-se. Em 4 de Julho de 1776 a independência dos E.U.A. declarou que todos os homens eram iguais; se esqueceram, no entanto, que os povos da África não eram animais, e mantiveram assim a escravidão. A Revolução Francesa, finda em 1799, degolou Reis, contestou o poder absoluto da nobreza e do clero, declarou que todos os homens são iguais e sob o lema “Liberdade, Igualdade e Fraternidade”, continuaram a escravidão em suas colônias. Em 1822 o Brasil se tornou independente. O que foi feito aqui, então, com relação à escravidão? A reposta mais fácil e prática é dizer que fizemos como os outros povos: os direitos continuavam para alguns, não para todos, afinal, a escravidão e os açoites não terminaram antes de 1888 com a Lei Áurea. Mas como isso foi possível se nem o Imperador D. Pedro I, defensor perpétuo do Brasil, nem José Bonifácio, o maior conselheiro do Imperador e patriarca da Independência eram favoráveis à escravidão? E mais: que reflexos causavam na sociedade brasileira a permissividade da Coroa diante das lutas e questões escravas que se davam no coração do Império do Brasil, na própria capital? Ao descrever situações, processos judiciais, a origem da capoeira e das lutas e tradições rebeldes da escravidão do Rio de Janeiro, a capital do Império do Brasil, somos apresentados a um quadro curioso, onde a liberdade e a escravidão andavam tão enlaçadas que por vezes era impossível distingui-la. Imaginem: como definir que tipo de negro era aquele que estava ao lado? Escravo, liberto, ou livre? Porque não houveram revoltas na capital? Porque no Império do Brasil não se deu como no Haiti, onde negros tomaram o país pra si estuprando e matando praticamente todos os brancos que lá existiam? A resposta não é difícil de se descobrir, mas é preciso ler para entender. Não podemos, porém, julgar o passado com os olhos do presente. Conceitos e idéias com o tempo tendem a mudar, seja para o bem, seja para o mal. Abolir a escravidão e considerá-la abominável foi uma evolução do pensamento humano, mas não nos fez santos, nem bons. Ainda estupramos crianças, matamos a troco de nada, continuamos fazendo guerras e convivemos com o mal do vizinho fazendo vista grossa por não ser na nossa casa. Não nos tornamos melhores, não somos piores; no máximo diferentes.

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