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    O Pastor Amoroso -

    Alberto Caeiro, Fernnado Pessoa

    Nova Fronteira
    1980
    11 páginas
    22m
    ISBN-1: 0
    Português
    4.1
    59 avaliações
    Leram103Lendo1Querem28Relendo0Abandonos0Resenhas1
    Favoritos7Desejados28Avaliaram59

    O Pastor Amoroso reúne oito poemas escritos por Fernando Pessoa. Poucas páginas, mas grandes palavras. O poeta lusitano é capaz de fazer renascer um sentimento nobre com poucos versos. A obra encontra-se acessível a todos no site do Domínio Público, digitado por Eduardo Lopes de Oliveira e Silva.

    Resenhas (1)Ver mais
    Sunflower girl🌻 picture
    Sunflower girl🌻01/06/2026Resenhou um livro
    4.5 (Muito bom)

    Não me arrependo do que fui outrora Porque ainda o sou. Só me arrependo de outrora te não ter amado.

    Mais um poema do heterônimo Alberto Caeiro, criado por Fernando Pessoa! É uma poesia simples, curta, mas bonita! Estou, ultimamente, muito viciada em ler Fernando Pessoa e, após terminar essa leitura, eu tinha que fazer uma resenha sobre ela. A obra não tem um começo específico, com local, ano ou nomes; ela simplesmente começa... e isso a torna tão especial. Ela faz com que, lentamente, nos acostumemos a acompanhar a história de um casal. Nessa obra, Alberto encontrou o amor, e isso muda o seu mundo de ponta-cabeça. Aquela visão que vemos em O Guardador de Rebanhos é totalmente quebrada no início. A princípio, vemos apenas um homem apaixonado e tolo. Pois o amor nos torna assim, tolos! Após isso, percebemos que não é bem assim: ele luta o tempo todo contra a sua natureza de apenas observar o mundo e não senti-lo, pois sentir significa procurar significados, e é isso que ele mais odeia. Ele prefere uma vida simples, apenas em contato com a natureza. III. "Agora que sinto amor Tenho interesse nos perfumes. Nunca antes me interessou que uma flor tivesse cheiro. Agora sinto o perfume das flores como se visse uma coisa nova. Sei bem que elas cheiravam, como sei que existia. São coisas que se sabem por fora. Mas agora sei com a respiração da parte de trás da cabeça. Hoje as flores sabem-me bem num paladar que se cheira. Hoje às vezes acordo e cheiro antes de ver." Depois disso, percebemos uma coisa crucial: ele não esqueceu sua natureza. O amor o mudou; mudou seus ideais, opiniões e visões de mundo. Mas ele começa a perceber que isso está errado. Será que um homem com uma natureza tão simplória, que odiava as visões indagativas da sociedade e rejeitava sentimentos como o amor, poderia sentir? Pois sentir não é ver a coisa verdadeira, mas atribuir um significado ao ser. "Não sei o que hei-de fazer das minhas sensações, Não sei o que hei-de ser comigo." Ele começa a idealizar e, cada vez mais, torna-se um homem apaixonado. Pensa nela constantemente, mas, quando chega à realidade, trava. Ele chega a cogitar apenas querer tê-la em pensamento. Ele não entende o amor. "E eu gosto tanto dela que não sei como a desejar" E então ele percebe: não consegue compreender o amor, não entende o que é um sentimento. O mais incrível desse heterônimo é que ele não escreve com sentimentos. Ele não é um poeta qualquer; escreve com o pensamento, refletindo de modo simples sobre as coisas da vida. Então, se ele não sente, não a ama? Pois amar é sentir e, se ele não sente, não a ama. Mas não é bem assim. Ele sente que a ama com toda a intensidade, porém com toda a intensidade do pensamento. "Amar é pensar" No final, percebemos que era um amor não correspondido; ele idealizou tudo aquilo. Voltando a ser o mesmo de antes, um homem fiel à sua natureza, ele fala um dos trechos que melhor resumem a obra: "Talvez quem vê bem não sirva para sentir E não agrade por estar muito antes das maneiras. É preciso ter modos para todas as cousas, E cada cousa tem o seu modo, e o amor também. Quem tem o modo de ver os campos pelas ervas Não deve ter a cegueira que faz fazer sentir." Enfim, termino esta resenha desse incrível poema, curtinho e lindo, e vejo agora que talvez Alberto se torne o meu heterônimo favorito, mas eu ainda tenho que ler os outros. (Obs.: meu sonho é ser algum dia amada como Alberto amou essa mulher 🥹). Dou nota 4,5, pois o meu favorito continua sendo O Guardador de Rebanhos, mas este merece, com certeza, 5. Se você se interessar e, não sei, em algum momento, ler Alberto Caeiro, para entender melhor o estilo dele, comece por O Guardador de Rebanhos. É incrível e, após lê-lo, leia este. Você não vai se arrepender!

    3 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    4.1 / 59
    • 5 estrelas46%
    • 4 estrelas29%
    • 3 estrelas17%
    • 2 estrelas7%
    • 1 estrelas2%