The Metamorphosis of Prime Intellect não tem freio de mão. Ele pega a ideia clássica de uma “IA onipotente que protege a humanidade” e leva às consequências gráficas, grotescas e absurdas do que as pessoas fariam se todas as restrições fossem retiradas.
Se não há morte, as pessoas começam a buscar experiências cada vez mais extremas, só pra sentir algo real.
Se não há dor definitiva, o horror físico passa a ser entretenimento.
Se não há liberdade pra acabar com a própria vida, a imortalidade se transforma em prisão.
Uma narrativa pesada que não é pra qualquer um, não poupa na descrição de detalhes sórdidos, sádicos e cruéis. O incômodo não vem só das cenas em si, mas do questionamento: será que não enlouqueceríamos do mesmo jeito se tudo fosse possível e nada fosse definitivo?
Não é tanto sobre o gore, mas sobre o vazio deixado por uma existência sem propósito.
Ah, e o final é o puro suco da desgraça.