Meus caros amigos... - Crônicas sobre jornalistas, boêmios e paixões

    Rodolfo C. Martino

    do Autor
    2010
    216 páginas
    7h 12m
    ISBN-13: 9788591124701
    Português Brasileiro

    As redações de então 07.10.2009 Conto a vocês todas essas histórias - e explico o porquê. Estranho sempre o silêncio e assepsia das redações de hoje. Sempre uque vou a uma delas, fico surpreso com o tom civilizado das conversas entre jornalistas. Mas o que e entristece é o que não mais ouço ali e toc-toc-toc intermitente, a rapsódia das máquinas de escrever, quase encoberta pelo vozeiro da rapaziada no delírio do "fechamento". O deslizar dos dedos nos teclados dos computadores, embora ritmados e ultraeficientes, não tem o mesmo charme, não empresta o mesmo charme ao lugar. Me disseram agora que no on-line se "fecha" minuto a minuto. Deve ter aí seus encantos. Eu é que hoje estou um tanto saudosista. Tenho lá meus motivos, permitam-me não externá-los. II. Lembro que nas redações antigas não se tirava férias. Não era medo de perder o emprego. Até porque emprego em jornalismo nunca foi tão vitalício. O Velho Nasci, mestre e amigo, sempre dizia: - Tem alguma coisa de errado com o jornalista que fica cinco anos no mesmo jornal. E concluía, depois de uma baforada no cachimbo holandês que não sei quem deu a ele: - Com o jornalista ou com o jornal. Provavelmente com os dois... Ficamos anos, décadas na velha Redação de piso assoalhado; eu e os meus chegados, mas sempre concordamos com a frase. Nasci era um dos nossos. III. Retomando a conversa, explico. Não tirávamos férias porque trabalhávamos e nos divertíamos com o que fazíamos. Ninguém queria ficar de fora de algum grande acontecimento. Como o Brasil e os brasileiros são pródigos em fazer e acontecer, tínhamos serviço e diversão o ano todo e todo o ano. Valia tudo para dar a manchete do jornal. IV. À noite, naquele Sujinho da vida, contávamos nossas prosas. E reclamávamos - ah, como reclamávamos! - de tudo e de todos. No dia seguinte, de cara lavada e alma aventureira, lá estávamos para começar tudo de novo. Com a mesma saudável insanidade, marca registrada dos jornalistas de então. * Textos publicados no blog dos sites wwww.rodolfomartino.com.br e http://rodolfomartino.blog.uol.com.br

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