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    No limiar do silêncio e da letra - Traços da autoria em Clarice Lispector

    Maria Lucia Homem, Clarice Lispector

    EDUSP / Boitempo
    2012
    200 páginas
    6h 40m
    ISBN-10: 8575593021
    Português Brasileiro
    4.6
    18 avaliações
    Leram29Lendo10Querem133Relendo0Abandonos5Resenhas3
    Favoritos1Desejados133Avaliaram18

    Nesta obra, Maria Lucia Homem procura lançar luz sobre a construção e crise da subjetividade do início do século XXI ao mediar o encontro inusitado entre Clarice Lispector e Jacques Lacan. Como a psicanálise pode contribuir para a renovação da leitura crítica das obras de Clarice Lispector? Nas primeiras décadas do século XXI, o que ainda resta a escutar de Clarice? A autora responde à questão ao abordar o embate entre palavra, silêncio e autoria, verdadeiro tripé esfíngico na escrita clariceana. Além de ter como base a psicanálise, com clara inspiração em Jacques Lacan, que com Sigmund Freud compõe referência central do livro, a abordagem de Maria Lucia é construída no campo da teoria literária e da filosofia estética, atualizando os debates promovidos por Nietzsche, Benjamin, Adorno, Barthes, Foucault, Auerbach, Anatol Rosenfeld e Cortázar. Esse conjunto de referenciais teóricos desdobra-se em um estudo sobre a noção de sujeito na obra de Clarice. O livro é calcado na análise dos três últimos romances da autora - 'Água viva', 'A hora da estrela' e 'Um sopro de vida', todos escritos nos anos 1970 -, nos quais se revela de forma mais clara uma inquietação com os limites da escrita, a relação entre a língua e o mundo, a palavra e a impossibilidade de dizer. São obras em que o sujeito criador (o autor) se esconde na multiplicidade de vozes narrativas e na ausência de um fio condutor. A autora escolheu abordar o tema do silêncio e da autoria. Nos três romances, o impronunciável manifesta-se como peça fundamental na busca de 'algo além do texto' - o silêncio é a origem, causa da narrativa e, ao mesmo tempo, polo para o qual se dirige a palavra. É a falta impulsionando a escrita que procuraria, então, significar a inapreensível totalidade do vivido. Já a questão da autoria, como segundo eixo determinante para o trabalho, é retomada em sua vertente problemática, desde os primórdios do romance dito moderno. O romance estruturalmente clássico - que buscava representar o universo subjetivo do herói individualizado - fica estremecido em suas bases sólidas e já estabelecidas. Abre espaço para uma maneira de compor em que personagem, narrador e autor se interceptam continuamente e na qual o silêncio aparece como ponto de fuga da narração, arrastando o próprio movimento da escritura. O pacto ficcional se altera, e o jogo entre silêncio e palavra se revela.

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    Arthur Pacheco picture
    Arthur Pacheco07/11/2019Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Para os entusiastas em conhecer trabalhos relacionados a Clarice Lispector. Este é sem dúvida uma parada necessária. Uma análise completíssima, altamente recomendável.

    3 curtidas

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    Avaliações

    4.6 / 18
    • 5 estrelas67%
    • 4 estrelas33%
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    • 2 estrelas0%
    • 1 estrelas0%
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    Maria Lucia Homem

    Psicanalista e professora na FAAP e no Núcleo Diversitas-USP, com pós-graduação no Collège International de Philosophie/ Universidade de Paris 8 e FFLCH-USP. Autora de No limiar do Silêncio e da Letra - traços da autoria em Clarice Lispector (Boitempo, 2012).

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    Maria Lucia Homem