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    Religião de Poder - A igreja sem fidelidade bíblica e sem credibilidade no mundo

    J. I. Packer

    Cultura Cristã
    1998
    288 páginas
    9h 36m
    ISBN-10: 8586886556
    Português Brasileiro
    4.6
    7 avaliações
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    A Igreja sem fidelidade bíblica e sem credibilidade no mundo. O alvo da Igreja é sucesso ou testemunho Fiel? Poder ou Proclamação? Técnica ou Verdade? Método ou Mensagem? Essas disciplinas não são em si mesmas más ou desnecessárias, porém, substituindo na Igreja o puro Evangelho, resultam na perda da fidelidade bíblica e da credibilidade diante do mundo.

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    Weinne Santos13/11/2017Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Cristianismo e Projetos de Poder

    HORTON, M. S. (ED.). Religião de poder. Tradução Wadislau Martins Gomes. São Paulo: Cultura Cristã, 1998. Religião de Poder é uma obra de 1992, lançada em 1998 no Brasil, que levanta discussões que permanecem atuais. O doutor Michael Scott Horton, hoje professor do Westminster Seminary California, reuniu um time de contribuidores, representantes das mais varias linhas do evangelicalismo conservador e da teologia reformada para discutir a respeito dos temas “igreja” e “poder”. O tema do “poder” neste livro carrega um conceito bem amplo. São diversos projetos de “poder” que certos movimentos evangélicos têm buscado: poder político, espiritual, numérico, pessoal e clerical. Eles estão manifestos em movimentos cristãos que promovem o ativismo político, o movimento de sinais e maravilhas, o movimento de crescimento de igrejas (MCI), o movimento terapêutico, e há sinais de seus efeitos até mesmo no meio conservador e fundamentalista. Na introdução, Horton faz questão de destacar que o livro não se propõe a dar respostas finais aos problemas levantados. Seu objetivo é que os artigos gerem reflexão sobre o futuro desses movimentos e seu impacto sobre a igreja como um todo. O ponto principal do livro, segundo Horton, é que “o alvo da missão cristã não é o sucesso, mas o testemunho fiel; não o poder, mas a proclamação; não técnica, mas verdade; não método, mas mensagem” e ainda que “a Pessoa e a obra de Cristo estão sendo obscurecidas por ideologia, subjetivismo, pragmatismo, legalismo, conservadorismo carnal e inovacionismo carnal”. A obra é dividida em seis partes: Política de Poder: discute a relação entre a igreja, o cristão e a política. Alerta para a ilusão do poder político, a armadilha da perda da independência e da relevância que apenas a pregação do evangelho pode trazer; Evangelismo de Poder: fala sobre movimento de igrejas que promovem sinais e maravilhas como forma de proclamar o evangelho. Seu principal estudo de caso é quanto a igreja Vineyard (Videira). Ainda estabelece princípios para um equilíbrio da igreja a respeito desse tema; Crescimento de Poder: discute o movimento de crescimento de igrejas (MCI), sua ênfase no sucesso como crescimento numérico e o perigo da troca de princípios bíblicos pela técnica; Poder Interior: fala da influência de teorias e práticas psicológicas no movimento evangélico, promovidos pelo integracionismo, minando conceitos cardeais tais como “pecado”. Pregadores de Poder: discute abusos de autoridade vindas do clero e apresenta como alternativa a ênfase no sacerdócio de todo crente; Mudança de Poder: a última parte do livro é mais propositiva. Busca estabelecer princípios para a relevância da igreja, sendo o último artigo assinado pelo próprio Horton. Se há uma tese principal desta obra, é a de que uma ênfase equivocada num aspecto do Cristianismo em detrimento de seu foco central: o evangelho do Senhor Jesus Cristo. Isso se reflete em cada um dos artigos. Dando início à primeira parte, em A Ilusão do Poder, Coulson chama a atenção para as armadilhas da política, e de como uma ênfase exagerada pode fazer com que a igreja perca sua liberdade para pregar o evangelho. A sua experiência na política traz insights interessantes; contudo, a sua tese da separação do papel do cristão como “cidadão” e como “político” carece de mais fundamento. Por que exatamente o cristão deveria deixar de lado seu compromisso com a cultura cristã por conta de um cargo público? Em seguida Meyers, em Um Caminho Melhor: Proclamação em vez de Protesto, questiona a efetividade de movimentos de protestos e boicotes cristãos que, ainda que com o objetivo contrário, acaba chamando mais atenção para aquilo que deseja desincentivar; além de deixar um testemunho duvidoso a respeito do evangelho de Cristo. Sua proposta é que protestos e boicotes tiram nosso foco do evangelho de Jesus Cristo. É uma reflexão relevante para os brasileiros nos dias de hoje, em que cada vez mais cristãos, conservadores ou progressistas, se engajam em lutas culturais pela hegemonia de uma versão ideologizada do Cristianismo. Iniciando a segunda parte, Armstrong problematiza a ênfase da igreja Vineyard em sinais e milagres, apontando para o perigo de ignorarmos que o poder de Deus para a salvação está na mensagem do evangelho. Em seguida, Carson nos dá princípios para entender o propósito de sinais e maravilhas no Novo Testamento, colocando esses aspectos no seu devido lugar. Já Boice fala a respeito do poder do evangelho e do Espírito Santo na salvação de pessoas, e de com a ênfase em sinais e milagres pode fazer com que confundamos essas coisas com o próprio evangelho e abracemos conceitos demasiado amplos de salvação. Na terceira parte do livro, Hull começa fala sobre o movimento de crescimento de igreja a partir do critério que esse movimento julga mais importante: isto realmente funciona? A resposta é negativa. Embora hajam contribuições desse movimento, ele acaba causando mais êxodo de cristãos de pequenas igrejas e não têm sido realmente efetivo na evangelização. Em seguida Nettles nos mostra um caminho melhor, ao apontar que o avivamento, e todos os efeitos que ele traz, sempre é precedido de Reforma. O crescimento equilibrado da igreja se com Reforma, um retorno às verdades básicas, e com Avivamento, um efeito do entendimento profundo da santidade de Deus, da nossa pecaminosidade e necessidade de salvação. Na quarta parte, Powlison faz um panorama histórico das tentativas de integração entre psicologia e Cristianismo, e problematiza esses projetos que tendem à psicologizar a teologia cristã. Em seguida Welch identifica esse perigo da psicologização da teologia na ideia de co-dependência, presente em grupos de apoio como o AA, e como por detrás desse conceito há toda uma cosmovisão panteísta e secular. Já Matzat adota um tom mais conciliador, ainda que apontando o perigo do integracionismo. Ele propõe que a psicologia não é uma inimiga do Cristianismo, tal como a física ou a medicina também não é; conquanto que não se proponha a vestir a toga e assumir o lugar de detentora da verdade. Matzat também problematiza o conceito de auto-estima, diferenciando da ideia de auto-imagem. Não há problema com ter uma auto-imagem adequada de si mesmo, mas é necessário reconhecer que perante a justiça de Deus todos nós estamos condenados, e nosso valor está em Cristo. Na quinta parte do livro, Riddlebarger argumenta, na relação entre a igreja e a sociedade, que o evangelicalismo “pode ser considerado mais hostil à sociedade secular do que a sociedade secular é para a igreja” e que a hostilidade e a tensão entre ambos “cortam muitas das oportunidades de diálogos frutíferos com a sociedade que busca respostas honestas às mais duras questões da vida”. Isso se dá, segundo propõe o autor, por um entendimento equivocado da doutrina da Criação, que leva o evangelicalismo a uma segregação e criação de uma subcultura que alimenta a hostilidade contra o mundo enquanto o imita em muitos aspectos. Sua análise de algumas das contradições do segregacionismo evangélico é certeira, mas falta uma ponderação sobre a separação que realmente existe entre a igreja e o mundo. Packer discute a questão do conservadorismo. Embora a tradição seja algo importante para qualquer reformado, ela deve fazer autocrítica e não é a maior autoridade em relação a fé e prática. Conservar a tradição é algo importante para qualquer cristão amadurecer de forma saudável, mas a boa tradição cristã deve ser conservada, e não a tradição afetada pelo secularismo ou por intenções pessoais. A má tradição é fundamento para muitos casos de abusos de poder por parte de lideranças cristãs. McGrath, por sua vez, apresenta uma solução para o abuso de poder no sacerdócio de todos os cristãos. Ele mostra que, por causa da corrupção original, o movimento evangélico é suscetível à tentação do poder, ao culto da personalidade, e que o sacerdócio de todo crente dá às pessoas “o direito e os meios para garantir que sua igreja e seus pastores permaneçam fiéis ao seu chamado evangélico - e autoriza o povo a exercê-lo quando necessário”. Isso é um bom freio para o abuso de autoridades clericais, e foi uma ênfase importante da Reforma. Na sexta e última parte do livro, Sproul identifica a causa da irrelevância da igreja na própria falta de conhecimento de Deus. A fraqueza teológica da igreja a leva a uma adoração de um “deus desconhecido”. O apelo a truques para deixar a mensagem cristã mais “relevante”, com menos conteúdo, na verdade a torna cada vez mais irrelevante. Sproul chama a igreja a um entendimento maior do próprio Deus. No último capítulo Horton, editor do livro, continua falando da relevância da igreja apresentado o caso da igreja de Corinto que, assim como todos esses movimentos em todos esses projetos de poder, trocou o evangelho de Jesus Cristo por um misticismo especulativo, pela novidade do mundo. A igreja evangélica tem feito igual, adotando uma espécie de misticismo, que tem efeitos na doutrina de Deus, da salvação, da igreja e dos últimos dias. Como um movimento, ela é arrastada e se deixa levar por todo vento de doutrina. Horton chama a igreja a “deixar atrás o poder… falar menos em autoconfiança e declarar a confiança na graça soberana de Deus”. É correto que há outras coisas com as quais nos preocupar, mas a maior necessidade do mundo é a paz de Deus. Religião de Poder é uma obra ainda relevante. Seus debates são atuais, principalmente levando em conta o desenvolvimento do pragmatismo e de duas forças políticas evangélicas no Brasil: a progressista e a conservadora, e seus projetos de poder. Que sejamos alertados e voltemos à simplicidade do evangelho de Cristo.

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    James Innell Packer

    É um eminente teólogo anglicano. Doutor em filosofia pela Universidade de Oxford, serviu muitos anos como professor de teologia no Regent College, em Vancouver. Autor muito apreciado pelo público cristão, escreveu vários livros, entre eles O Conhecimento de Deus, Entre os Gigantes de Deus, O Antigo Evangelho e Os Vocábulos de Deus, entre muitos outros já publicados no Brasil.

    39 Livros
    53 Seguidores

    James Innell Packer