Neste livro, Rod Phillips conta a deliciosa história da bebida sagrada, religiosa, inebriante e sensual que acompanha a humanidade há milhares de anos. A pesquisa de Phillips vai fundo na história do vinho e investiga sua vitalidade como produto, mercadoria e ícone que atravessa séculos e gerações. Investigando evidências arqueológicas e botânicas, Phillips viaja sete mil anos no tempo para revelar as históricas rotas da produção da bebida. A partir do detalhamento e descrição dos antigos bacanais e outros rituais tradicionais que possibilitaram a entrada do vinho no cotidiano da vida pública, o autor investiga o papel do vinho como mercadoria. Além de estudar a crescente importância cultural e econômica da bebida através da história, Phillips analisa também os efeitos do alcoolismo e de atitudes violentas originadas do consumo excessivo de álcool na sociedade.
Uma breve história do vinho -
Rod Phillips
Edições (1)
Ver maisUma Breve História do Vinho (2003)
Autor: Rod Phillps A maravilhosa obra de Rod Phillips — renomado historiador neozelandês especializado na história do vinho e da França — poderia também ser chamada de 'uma breve história da humanidade'. De forma rica e detalhada, Phillips descreve como a trajetória do vinho acompanha a evolução do homem tanto em suas relações sociais quanto individuais, no que se refere a religião, conflitos, criatividade, produção e consumo, etc. Já no início nos deparamos com uma constatação fundamental: "assim como o pão, o vinho é um produto primeiro da sociedade e depois da natureza, pode não ser muito romântico, mas é o mais preciso historicamente", e deve-se enfatizar que o vinho não é uma criação e sim uma descoberta "acidental". Levando em conta esse pontos acima citados, o nível do conhecimento científico da época e o caráter ritualístico natural do homem, podemos entender a associação do vinho a algo "mágico", como um presente dos Deuses. Não é possível datar com precisão essa descoberta, mas há registros com comprovação de recipientes datados de 5400 a 5000 a.C com rastros de armazenamento de uma bebida fermentada de uva. Assim como mostra a história do homem, a mudança nômade para sedentária também se reflete na cultura do vinho, sendo um fruto que demanda tempo para sua produção, apenas povos estabelecidos em algum local com as condições climáticas adequadas poderiam se dedicar a esse cultivo. O vinho, como é apresentado, acompanhou a expansão e exploração do homem pelo mundo, partindo possivelmente das proximidades das montanhas de Zagros, onde hoje é o território do Irã, o vinho alcançou os quatro cantos do mundo. Inicialmente de forma democrática, possivelmente por influência do berço da democracia: a Grécia; o vinho era bebida de todos, foi considerado por muito tempo como parte da dieta fundamental e uma bebida mais segura e saudável do que a própria água, visto que no seu processo de produção muitas bactérias eram eliminadas, diferente do que existia na água disponível naquela época. O livro destaca dois pontos fundamentais para o sucesso do vinho: Primeiro as propriedades medicinais a ele associadas, como é apresentado, mesmo na pós modernidade isso ainda é assunto de debate e mesmo com o forte combate ao consumo de álcool, o vinho sempre foi visto com um olhar mais brando e até como um escape ao excessivo consumo do álcool destilado. O segundo ponto é sua associação a religião, o vinho é historicamente conhecido como a "bebida de Baco" (na mitologia romana) ou "bebida de Dionísio" (na mitologia grega), representando o Deus do vinho, das festas, da fertilidade e do êxtase. Mas a sua maior força religiosa foi com o Cristianismo, o vinho se transforma no sangue de Cristo e na Bíblia que é a fonte do Cristianismo e das demais religiões Abraâmicas, a videira é a planta mais citada. Acompanhando o homem em todas suas fases, o vinho também foi influenciado pela mudança de cultura; a visão mercantilista, o acumulo de riquezas, a descoberta do "novo mundo" e sua respectiva exploração, a divisão das classes sociais de acordo com o poder aquisitivo, tornou o vinho uma moeda, a principal fonte de riqueza de algumas regiões e um divisor: o tipo de vinho consumido e a forma de consumo, elevava ou rebaixava sua posição perante a sociedade. Assim vários tipos de vinhos foram sendo criados para atender os diversos níveis sociais. Vale ressaltar a importância da região de Champagne e seu vinho espumante característico, assim como vinho "tradicional" mais uma vez temos um "acidente" proporcionando uma descoberta, a segunda fermentação já dentro da garrafa (que com a revolução tecnológica que o vidro e a cortiça trouxeram se trata de um grande marco da época permitindo maior longevidade ao vinho) criando as bolhas que geram uma alta pressão interna as garrafas, isso encantou as pessoas, era como "beber as estrelas". É um folclore a criação associada a Dom Perignon, que exalta um personagem que teve sim grandes descobertas que contribuíram com essa cultura, mas não a criação do vinho espumante. O Champagne trouxe mais simbolismo a uma bebida já tão carregada de história, agora era "estourado" em casamentos, inaugurações, aniversários, conquistas diversas e até nos dias atuais este ritual permanece. O livro dedica boa parte em apresentar também os inimigos do vinho ao longo da história, como vemos o vinho teve que ser muito resiliente para que ainda seja uma das principais bebidas do mundo, com destaque para três principais adversários: Primeiro as Guerras e a instabilidade politica e econômicas por elas causadas, sendo a Europa a principal produtora e consumidora do vinho, as diversas guerras nas mais variadas regiões afetaram muito em vários momentos da história seja com a queda do poder aquisitivo e pela escassez de mão de obra durante as piores fases dos conflitos. O segundo inimigo foi o combate ao consumo de álcool, já no berço do vinho, na antiguidade, com a influência da religião Islâmica, praticamente o consumo do álcool foi abolido; o vinho resistiu e migrou para a Europa como sua principal casa, mas na era moderna seja nos EUA ou na própria Europa vários grupos religiosos ou não para combate ao consumo de bebidas alcóolicas nasceram e tiveram forte influência, em algum casos até conseguiram implantar a lei seca; devido seu caráter social e religioso o vinho muitas vezes ficou de fora das proibições, mas muitos produtores sofreram grandes prejuízos até que essas leis fossem revogadas. O terceiro e principal inimigo foram as pragas, com destaque para a Filoxera, vinhedos foram devastados por essa praga que mudou drasticamente o cultivo em diversas regiões, foi um dos primeiros casos dos malefícios da globalização, já que algo provavelmente nascido nos EUA, atingiu seriamente a Europa, América do Sul e até a Ásia; muitas regiões nunca mais voltaram a produção de antes dessa peste, também podemos dizer que algumas áreas mais resistentes se beneficiaram nessa época, sendo fonte para reposição dos mercados consumidores. O livro encerra falando do mundo contemporâneo, pós segunda guerra, período que o vinho viveu uma recuperação depois de épocas tão difíceis. A evolução tecnológica, química e modernização das industrias e transportes possibilitaram para o vinho assim como para todos os produtos resistir a intempéries e chegar a locais onde antes era impossível. Podemos acompanhar hoje, mesmo com uma mudança de cultura tão grande, que o vinho resiste, assim como as instituições, pois o vinho vai além de um alimento, o vinho carrega cultura, sacralidade e ancestralidade e enquanto os homens existirem, os brindes regados ao sangue de Deuses também existirão
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