Entrar
    Book cover
    Compartilhar
    Editar
    • Sinopse
    • Edições2
    • Vídeos0
    • Grupos0
    • Resenhas1
    • Leitores73
    • Similares0
    Skoob logo

    Saiba mais

    Quem somosTermos de usoFale conoscoCentral de ajudaPrivacidade

    Fique por dentro

    Livros em destaque

    Explore

    LivrosAutoresEditorasLeitoresCortesias

    Siga nas redes sociais

    Baixe o app

    Google PlayApp Store

    Dia de Submarino -

    Ricardo Soares

    Moderna
    2000
    92 páginas
    3h 4m
    ISBN-11: 8516016706_
    Português Brasileiro
    3.4
    26 avaliações
    Leram58Lendo4Querem9Relendo2Abandonos0Resenhas1
    Favoritos0Desejados9Avaliaram26

    Num dia de chuva, Marinho recebe a notícia de que seu avô morreu. O menino, vendo a imagem de um submarino na tevê, imagina que ali está o avô, submergindo nas profundezas, e começa a lembrar daquele velho querido que o chamava de "Italiano": dos seus chinelos, sua unha comprida, a mesa enorme em que os dois ficavam horas conversando. Ali, o avô lhe ensinava sobre a vida, lhe contava da sua vinda ao Brasil saindo de Coimbra, de seu medo do mar. Marinho lembra de seu humor especial ao agradecer as meias vermelhas que sempre ganhava de presente de Natal; de seus cuidados com o canarinho; de seu amigo Freitas e suas conversas do tempo de boemia numa São Paulo antiga; de sua paixão pelo futebol. Só o avô podia lhe mostrar o que fazer com o dente que caiu e ao mesmo tempo fazê-lo refletir sobre a criação do mundo e sobre... fantasmas. Reclamava do prefeito, do crescimento desenfreado de São Paulo, bebia cerveja com o músico Adoniran. Marinho agora está triste. Acha que ninguém entende a sua perda. Em voz alta, conversa com o avô; põe o barquinho que ele lhe deu na banheira. O barquinho enche de água e afunda. Como um submarino. Mas a morte repentina ao avô leva o neto, num relato ora divertido ora emocionante, a relembrar os melhores momentos dessa doce convivência. Até que chega o dia do submarino...

    Edições (2)

    Ver mais
    • book cover
    • book cover
    Resenhas (1)Ver mais
    Rafaela Monteiro picture
    Rafaela Monteiro01/01/2025Resenhou um livro
    4.5 (Muito bom)

    "Foi agora. Agorinha mesmo. A vitamina de abacate continua lá em cima da mesa da sala. Acho que não vou conseguir tomar mesmo. Acho que também não vou conseguir comer os biscoitos que tirei do armário da cozinha. Continua caindo o maior temporal e a televisão continua ligada. Queria ficar trancado no meu quarto, igual os adultos fazem de vez em quando. Mas estou com preguiça, com o corpo todo mole e não consigo nem me mexer do sofá E agora, vô? Você está vendo essa chuvarada aí de cima? Você está descendo que nem o submarino que continua na televisão, lá no fundo do mar? De noite, no meu quarto, você vai aparecer que nem um fantasma bom para mim? Vai avisar antes de aparecer? Vem todo dia sete? Hoje é dia sete, vô, e a tia Bela me disse pelo telefone que você morreu. E agora, vô? Como é que é morrer? Uma vez, eu me lembro, deitei na terra lá do quintal da sua casa de noitinha e fiquei olhando umas estrelas. Me senti meio sozinho, vendo aquilo tudo e achando que deve ser ruim morrer e ver todas aquelas estrelas de perto sem ninguém em volta. Será que as pessoas que morreram hoje como você estão do seu lado? Vocês vão embora todos juntos, vô? E aí, se você subiu, tá vendo o trem para Araraquara aí de cima? Ele está atrasado ou tá na hora? Se você desceu, está vendo o Japão do outro lado do mundo? Sabe, vô, minha boca até se mexeu, mas não estou falando sozinho não. Parece que estou falando sozinho, mas não estou não. Estou é pensando sozinho, porque ninguém chegou ainda em casa. Nem sei se minha mãe ou meu pai sabem o que aconteceu. Estou aqui pensando sozinho e sem vontade de sair do sofá. Mas aí... olha lá, vô! Perto do cesto de revistas está aquele barquinho vermelho de pilhas que você me deu de aniversário. Vou lá pegar, vô... Você sabe que eu nunca arrumei um lago ou represa para poder brincar com ele? Olha, vô, estou ligando ele. Olha o barulhinho que ele faz, mexe aquela hélice branca atrás dele. Le- vanto o brinquedo com a hélice ligada e, agora, é um barco voador. Vou andando pelo corredor e entro no banheiro. Olha lá, olha lá, vô... Olha lá a banheira! Como é que eu nunca pensei nisso? Vô, deixei o barquinho desligado, pus em cima da pia e sentei no chão. Tapei o ralo da banheira e ela está enchendo, enchendo... Está quase cheia, quase transbordando, vô! Agora ligo o barquinho de novo, vô. As pilhas parecem estar bem fortes, o motor do barquinho está novinho. Ponho ele na banheira cheia. Ele vai para lá e para cá... aí, de uma vez só e bem devagarinho, vou afundando com as mãos o barquinho ligado. As hélices giram, giram mais devagarinho e vão parando, parando... pararam. O barquinho encheu de água por dentro. Parou de funcionar. Está afundando. Vô, o barquinho agora é um submarino."

    curtir

    Estatísticas

    Avaliações

    3.4 / 26
    • 5 estrelas27%
    • 4 estrelas19%
    • 3 estrelas31%
    • 2 estrelas19%
    • 1 estrelas4%
    Ricardo Soares profile picture

    Ricardo Soares

    Ricardo Soares é diretor de programas e documentários, jornalista, escritor e roteirista. Escreveu, apresentou e dirigiu para TV CULTURA, SESCTV, GNT, Bandeirantes, CNT/GAZETA, TV BRASIL, MANCHETE. É coautor das peças “Olho da Rua” e “Quatro Estações”. Tem vários livros publicados, como o romance Cinevertigem e os infantojuvenis Valentão, O Brasil é feito por nós? Dia de submarino e Falta de ar. Foi cronista do Estado de S.Paulo e Jornal da Tarde. Passou também por rádios e revistas. Mais de 30 anos de janelas abertas no Brasil, Portugal, Colômbia e Angola.

    8 Livros
    0 Seguidor
    São Paulo, Brasil

    Ricardo Soares