Baseado em sequestro ocorrido no tempo de Napoleão - o Balzac que menos gostei...
Lendo alguns dos livros notáveis de Balzac, percebe-se que ele era um pró-monarquia, um admirador de Napoleão. E embora em "Um caso tenebroso" isso não fique tão evidente, podemos inferir essa preferência de Balzac antes mesmo do início do romance: o enredo foi baseado num sequestro real ocorrido em 1805, onde um ministro de Napoleão foi raptado por algum tempo, recaindo-se a culpa em duas famílias reconhecidamente monarquistas. Quem arquitetou e executou o sequestro foi um eminente pró-burguesia, pretendendo, dentre outros motivos, indispor Napoleão com seus apoiadores. De modo geral, "Um caso tenebroso" apresenta, a meu ver, a mesma verve criativa balzaquiana (a gente imagina o autor passando horas e madrugadas com a pena na mão, sem parar de escrever). No entanto, diferentemente de livros espetaculares como "Ilusões perdidas" e (o mais que espetacular) "Esplendores e misérias das cortesãs", aqui a história parece avançar com mais dificuldade, e me surpreendi com a trama política ser menos interessante que a contida no "Esplendores e misérias das cortesãs". De fato, "Um caso tenebroso" é um livro quase sonolento... Mesmo assim, há que se exaltar o estilo de Balzac e a maneira muito bem tramada de como Napoleão e Talleyrand são introduzidos na história. Livro recomendado para quem já lê Balzac (pois já criou "casca" para evitar certo ranço), mas não o recomendo para quem quer iniciar na leitura desse grande autor (talvez "Eugenie Grandet" seja mais recomendado nesse caso, embora eu prefira começar por "A pele de onagro").






