Sinopse:
“Como filha de um mágico mundialmente renomado, que é igualmente talentoso na prática do roubo de jóias, Roxy Nouvelle herdou o gênio de seu pai. Luke Callahan, notável na arte de escapar de armadilhas no palco, também possui um dom para calcular o valor de seus bens roubados. Forçados a se unirem pelas circunstâncias, Roxy e Luke são parceiros primeiramente na ilusão, em segundo lugar no crime e finalmente na paixão. Mas a sombra de seu passado persegue Luke, forçando-o a desaparecer ou testemunhar a ruína daquela que amava. Anos vazios e solitários de fama e sucesso se passam até que Roxy e Luke se reencontram para o espetáculo mais desafiador de suas carreiras e a execução de uma doce vingança contra um inimigo em comum.”
Esta resenha é desafiadora para mim. Venho aqui escrever sobre um livro de uma de minhas autoras prediletas, Eleanor Marie Robertson – Pseudônimo: Nora Roberts. Eu já li muitos, muitos, muitos livros dela e admito que seja suspeita para falar, mas vou tentar ser a mais crítica possível.
Não encontrei indícios de que este livro tenha sido publicado no Brasil e a tradução dele ao pé da letra seria “Ilusões Honestas”. Leio os livros dela em inglês, - na verdade sempre procuro ler livros em inglês se for essa sua origem – e adoro estes livros dela de suspense/romance que tem nomes paradoxais. Exemplos como “True Betrayals”, “Sacred Sins”, “Hot Ice”, “Genuine Lies”, etc.
“Honest Illusions” é um livro diferente de suspense da NR, por que desde o início conhecemos o antagonista e sabemos de seu propósito. Ela começa o livro com uma apresentação ilusionista da Roxanne e o reencontro dela com Luke, e então faz uma transgressão ao passado.
Boa parte do livro retrata os anos antecessores ao momento atual da estória. Luke foi apresentado à família Nouvelle quando criança e imediatamente Max, o patriarca da família, reconheceu nele potencial. Luke tem um passado problemático, com uma mãe relapsa e um padrasto abusivo.
E Max, por razões de auto-identificação, já tinha um histórico de “resgatar” vidas de pessoas perdidas. Luke passa a viver com ele e sua família, trabalhando nos espetáculos que promoviam e viajando com eles pelo país.
Quero ressaltar a vocês que grande parte do meu absoluto encanto por esse livro é exatamente pela magia que envolve a estória. O ilusionismo faz parte daquela família como o próprio sangue e nós somos transportados a um mundo maravilhosamente mágico e encantador através das palavras de NR e pelos olhos dos personagens.
Por várias vezes, eu me via perdida nos ensinamentos de Max e em como ele incrivelmente fazia você acreditar no irreal. O ideal reforçado no livro é que, no fim das contas, a maioria das pessoas sempre procura por uma bela ilusão.
Mas nem no mundo do ilusionismo tudo é flores e esse Max generoso acaba por acolhendo a pessoa errada embaixo do seu teto. Serve bem para nos lembrar que nem sempre a bondade será retribuída com gratidão e essa família sofre as conseqüências disso.
Sobre Roxanne e Luke? A verdade é que eu completamente me apaixonei pelos dois individualmente e juntos. Sabe aquela estória de que “separados são ótimos, mas juntos são sensacionais”? Perfeitamente encaixado aqui.
Roxanne tem um temperamento forte e uma mente decidida. Luke é um vislumbre para nós do que Max foi quando jovem – com uma dose adicional de garra. Os dois são como um barril de pólvora explodindo e lançando faíscas para todos os lados. Em parte isso tem a ver com as suas personalidades e em parte com a paixão que crescera entre os dois enquanto eles próprios cresciam lado a lado.
Resumidamente, o livro é fantástico. Adoro o fato de que ninguém na família era tipicamente dentro da lei, e sim pelo contrário. Quebrando um pouco o estereótipo do casal bonzinho. Eles têm um fascínio pelo roubo assim como pelo ilusionismo e fazem da prática uma arte.
Pelo amor de Deus, eu não estou fazendo nenhuma apologia ao crime – não me entendam mal. Ficção continua sendo ficção, por mais que várias vezes possamos desejar pelo contrário. Mas o ponto é que esses ladrões de luxo, ladrões que abraçam a tarefa como uma verdadeira profissão, descrevem o que fazem com tanta paixão, que obrigatoriamente você se vê capturado na concepção deles.
Sobre o inimigo? Bem, eu absolutamente não quero comentar muito a respeito ou estragarei a graça. Já não há tanto suspense por que sabemos quem ele é e o que quer, e com certeza quem ler esta resenha e depois for ler o livro, saberá exatamente quem é assim que a pessoa aparecer.
Para instigar vocês, apenas declaro uma coisa: a lealdade nessa família corre solta e a maravilha está no fato de que os únicos “co-sanguineamente” relacionados são Roxanne e Max. O “inimigo em comum” que cito na sinopse que traduzi mexeu com dois membros diretamente, mas abalou a família inteira e forçou uma separação entre eles bastante dolorosa.
Um tempo que Luke nunca poderá recuperar – e algo pelo qual ele sempre se arrependerá.
E após anos, quando Luke reaparece e faz uma proposta irrecusável de “negócios” a Roxanne, os antigos amantes estarão juntos outra vez. Para realizar um desejo vivo na família deles e acertar contas com quem há tempos ousou armar contra eles. Não restaria pedra sobre pedra.
Afinal, quem foi que disse que a vingança é um prato que se come frio?