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    Todos os contos de Maigret Simenon - Vol. I

    Georges Simenon

    L e PM
    2009
    391 páginas
    13h 2m
    ISBN-13: 9788525418821
    Português Brasileiro
    4.2
    9 avaliações
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    Favoritos1Desejados34Avaliaram9

    Criação do belga Georges Simenon (1903-1989), o inspetor da polícia francesa Jules Maigret surgiu pela primeira vez em 1931, numa série de romances que conquistaram legiões de leitores do mundo inteiro e revolucionaram a literatura policial. Ombreando com Sherlock Holmes, Hercule Poirot e Philip Marlowe pelo título de investigador mais fascinante da ficção, Maigret é o mais humano entre os seus pares. Homem de poucas palavras, corpulento, pesado, deliberadamente vagaroso, que percorre as ruas de Paris e cidades do interior da França com seus indefectíveis sobretudo e cachimbo, ele tem sempre um olhar atento para os dramas que ligam as pessoas. E é lançando mão do seu conhecimento instintivo da natureza humana que Maigret desvenda os mais inexplicáveis e – por que não? – comoventes crimes.

    Resenhas (2)Ver mais
    Fabio Shiva picture
    Fabio Shiva21/08/2019Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Atmosfera

    Georges Simenon, definitivamente, é um de meus autores favoritos. A cada livro dele que leio, seja ou não protagonizado pelo comissário Jules Maigret, só aumenta o meu fascínio diante de um irresistível contador de histórias. E boa parte desse encanto, só pude perceber agora, reside justamente no fato de não saber ao certo o que torna os livros de Simenon tão incrivelmente bons! E agora, ao ler em sequência nada menos que dezessete histórias curtas de Maigret reunidas em um tijolo que corresponde, em número de páginas, a cerca de três romances de Simenon, tive uma bela oportunidade de apreciar um pouco melhor as qualidades literárias desse grande autor. O ponto central das tramas de Simenon, e especialmente das estreladas por Maigret, é a chamada “atmosfera”. O próprio método de detecção do comissário, bem diverso de seus colegas Sherlock Holmes ou Hercule Poirot, consiste em justamente absorver e ser absorvido pelo cenário onde foi cometido o crime. A tal ponto que, no conto “A barcaça dos dois enforcados”, Maigret revela que precisa “pensar barcaça” para conseguir desvendar o mistério. Mas como são construídas essas atmosferas tão envolventes das histórias de Simenon? O autor possui uma técnica incomparável ao descrever cenários, que sempre são retratados interagindo de alguma forma com as pessoas, e até dotados de algo como um “estado de espírito”. Os cenários de Simenon estão longe de serem objetos inanimados: vivem e respiram, participando ativamente da trama. Até aí eu já havia percebido em outras leituras, e até cheguei a comentar em algumas resenhas. O que a leitura desses contos me trouxe, em termos de novas descobertas, foram duas percepções principais: 1) O DRAMA ACIMA DO CRIME Em boa parte das histórias de Maigret o “crime” cometido não se enquadra, de forma exata e precisa, em termos de uma “infração à lei”. Em algumas histórias, quando o mistério é solucionado, o “culpado” sequer chega a ser preso, pois não cabe punição legal à ofensa que ele cometeu. Em outras, o próprio Maigret resolve fazer vista grossa e liberar o ofensor das garras da lei, por entender bem demais o drama humano que motivou o “crime”. Por aí já se percebe que “descobrir o assassino” nas histórias de Simenon é sempre secundário, ao contrário de boa parte das histórias policiais. 2) ADORÁVEL TRAPACEIRO Uma vez que o drama está acima do crime, uma consequência direta é que o “personagem” está acima do “detetive”. Por conta disso, Simenon trapaceia, com charmosa cara-de-pau, em algumas das famosas e não escritas regras da história policial. Uma das principais regras reza que o leitor deve ter acesso a todas as pistas junto com o detetive, e o grande divertimento da leitura consiste justamente no leitor tentar ser mais esperto que o detetive, desvendando antes dele o mistério. Com Maigret, essa regra é totalmente subvertida, pois muitas vezes as “pistas” são reveladas pelo próprio comissário, que invariavelmente surpreendem o leitor pelo tanto que o comissário já depreendeu do drama humano que está sendo apresentado. Se por um lado o jogo clássico da leitura policial é frustrado, Simenon obtém grandes compensações por essa “trapaça”. Como quem não quer nada, seu Maigret vai aos poucos se mostrando um verdadeiro super-homem da intuição, capaz de reconstruir em um relance profundas tragédias a partir das mínimas pistas. E ganha também o leitor, penso eu. Esta edição apresenta três ótimas introduções com análises feitas pelos escritores Dominique Fernandez, Pierre Assouline e Denis Tillinac. Sugiro que sejam lidas após a leitura dos contos em si, pois aparentemente a palavra “spoiler” ainda não foi traduzida para o francês! https://comunidaderesenhasliterarias.blogspot.com/2019/08/todos-os-contos-de-maigret-vol-i.html

    9 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    4.2 / 9
    • 5 estrelas44%
    • 4 estrelas33%
    • 3 estrelas22%
    • 2 estrelas0%
    • 1 estrelas0%
    Georges Joseph Chistian Simenon profile picture

    Georges Joseph Chistian Simenon

    Foi um romacista de uma fecundidade extraordinária: escreveu 192 romances, 158 novelas, alem de obras autobiográficas e numerosos artigos e reportagens sob seu nome e mais 176 romances, dezenas de novelas, contos e artigos sob 27 pseudônimos diferentes. As tiragens acumuladas de seus livros atingem mais de 500 milhões de exemplares. É o autor belga, e o quarto autor de língua francesa mais traduzido em todo o mundo. Seu personagem mais famoso é o Comissário Maigret, personagem de 75 novelas e 28 contos.

    321 Livros
    154 Seguidores

    Georges Joseph Chistian Simenon