De onde veio a criança? De onde veio o sonho? De onde veio o nada? De onde veio a rosa? O poeta é como a criança: pergunta. Ou melhor: o poeta refaz a infância, redescobre o mistério. "Então a linguagem das coisas se lhe torna perceptível. Ela as entende e - diante delas - se faz entender". Por isso, a criança deste poema conversa com as flores, com o regato, com a cascata, com a montanha, com o seixo, com o pinheiro, com o vento, com a neblina, com o mar, com o pássaro, com o lago, e finalmente, com o homem e com a mulher. E aprende com cada um deles um pouco do mistério da integração do homem no universo. A linguagem é metalógica porque envolve em embalo de poesia e de canto. Em busca de origens... De onde viemos? Que somos? Que fazemos? Para onde vamos? Os filósofos se esforçam em vão para responder claramente a estas perguntas. Mas o poeta e a criança têm rspostas que a razão talvez desdenhe, mas que falam a linguagem do coração. Um pouco à maneira de Saint-Exupéry, um pouco ao jeito de tagore, com algo de Gabriela Mistral, Tempo no Tempo em Busca das Origens é dessas coisas intemporais e inespaciais, que nos embala, nos faz sorrir, nos faz pensar, nos faz refazer a infância. Que mais se pode pedir de um livro? - João Etienne Filho