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    S. Bernardo -

    Graciliano Ramos

    Record
    2012
    272 páginas
    9h 4m
    ISBN-13: 9788501066657
    Português Brasileiro
    3.9
    11275 avaliações
    Leram20654Lendo549Querem6479Relendo22Abandonos535Resenhas863
    Favoritos22Desejados6479Avaliaram11275

    No declínio de um atribulado percurso de vida, um poderoso fazendeiro do sertão alagoano conta a sua história. Em S. Bernardo somos apresentados a Paulo Honório, menino órfão que trabalhava como guia de um cego e vendia cocadas durante a infância para conseguir algum dinheiro. Mais tarde, ele passou a labutar na roça – tarefa a que se dedicou até os 18 anos, quando acabou preso após cometer um crime de honra. Ao ser solto, o principal foco de sua vida passa a ser amealhar bens e dinheiro. Para isso, toma um empréstimo de um agiota e começa a negociar gado, redes, rosários e diversas miudezas pelo sertão. Enfrentando uma série de percalços, Paulo Honório reage a tudo com frieza, e chega a empregar meios antiéticos para atingir seus objetivos. Após conseguir juntar algumas economias, retorna a sua terra natal, Viçosa, decidido a comprar a fazenda São Bernardo, onde havia trabalhado na juventude. Já mais velho, amargurado pela vida que levou, o narrador revisita dramas de seu passado e conflitos internos que permanecem inexplicáveis até o momento em que suas memórias estão sendo escritas. Nem a fazenda S. Bernardo, que conseguiu adquirir por preço irrisório, nem a professora Madalena, a quem contratou para alfabetizar as crianças do seu empreendimento rural e com quem acaba se casando, deram-lhe o sossego que tanto buscava. A escrita, então, é o que lhe resta, na tentativa de ter de volta a paz desejada. Da elaborada teia existencial desenvolvida ao longo da trama – com os conflitos entre as visões de mundo incorporadas pelos personagens -, destaca-se, em S. Bernardo, um texto riquíssimo, principalmente nas falas de Paulo Honório, construído em metáforas surpreendentes, ainda que disfarçadas pela concretude das palavras.

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    Resenhas (863)Ver mais
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    Carla Silva28/03/2021Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Seco. Contido. Poderoso.

    Tivesse eu ainda entusiasmo, faria um vídeo disto. Não tendo mais, vai esta resenha que como sempre ficará aquém do livro. Li São Bernardo na juventude; Embora reconhecendo mérito ao autor, vi frieza e distância na forma de narrar. Passaram-se anos. Fiz as pazes com Graciliano através de "Angústia", que continua meu favorito. Porém reler depois de mais de vinte anos "São Bernardo" foi uma surpresa. Primeiro: no dia que comecei, havia tentado começar outros livros: tudo soando pretensioso, fraco; eu mal passava das páginas iniciais. Aí peguei São Bernardo e veio a primeira alegria: antes da página 20, estava fisgada. Escrita seca, ágil, sem firulas e sem adornos, sem pretensão alguma - e poderosa. O que os outros autores - 3 ao todo - não tinham conseguido, Graciliano fez sem demora: me conquistou, me ganhou cativa para a sua história. Que é uma grande história. De um 'made self man' brasileiro, Paulo Honório, que resolve contar sua vida. Há de tudo: violência, paixão, ciúme, ódio, revolta, ambição, desencanto, corrupção, reflexão sobre si e a vida, até sobre o ato de escrever. Acho que Lúcia Miguel Pereira tinha certa razão em ver um defeito no romance no fato de ser tão bem escrito - sendo o 'autor' um protagonista pouco instruído que se assume como autor do que lemos. Ao mesmo tempo, a força do livro é tal que passamos por cima desse defeito. É grande. É forte. Poderoso, como disse. Mergulhamos com Paulo Honório em tudo que nos conta, ao seu lado mesmo quando em desacordo com ele (e há muito com que discordar, aliás). Não dei 5 estrelas por duas coisinhas que me incomodaram, e aqui, um aviso - darei spolier para explicar (não leia se não quiser saber detalhes do enredo): - O suicídio de Madalena. Sendo ela uma pessoa boa, generosa, compassiva, só pode estar se matando porque o marido a maltrata grandemente. Aí, ela se suicida, mas - se era ela tão boa pessoa, não pensou no filhinho bebê que abandonava ao marido violento? Não teve escrúpulo de deixar nas mãos de Honório a criança indefesa? - A referência feita por Paulo à carta deixada pela esposa destinada a ele. Graciliano não achou necessário citar sequer um trecho dessa carta, que seria tão importante para entendermos o ato último de Madalena, nós, leitores, mesmo que o marido não entendesse - Paulo só diz que a carta traz umas palavras difíceis que ele não entende. Seria este o propósito de Graciliano, deixar que nós imaginássemos a dita carta? Não sei. Pode ser, mas deu-me certa frustração. Fim do spoiler - Nada disso muda o fato de estar-se diante de um grande romance, decerto um dos nossos maiores. "Angústia" continua meu favorito. Mas, agora, "São Bernardo" não me fala de um escritor frio, mas sim artista, contido e seco e sutil naquilo que não diz, só insinua ou nos deixa especular. Grande.

    149 curtidas

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    • 5 estrelas31%
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