Mal Maicon Tenfen completara duas semanas como colunista do Jornal de Santa Catarina, tocou o telefone pela manhã: - Edgar, estou jogando a toalha. Em duas horas de conversa, Maicon agradeceu, mas estava decidido: abria mão da coluna. Dizia-se incompreendido pelos leitores do jornal, a quem acusava de interpretarem de modo equivocado o que escrevia. Não sei de onde tirei forças para demovê-lo: - Com o tempo os leitores se acostumam e vão te entender, Maicon - ponderei. O tempo foi passando e cada nova coluna produzia em nós, editores, duas reações: alegria e preocupação. Alegria com a coragem das opiniões de Maicon Tenfen, arrombando portas tidas até então como inexpugnáveis ao jornal. Preocupação com a paixão do colunista pela provocação, em especial sua guerra contra o que ele chama de blumenauense fundamental - um tipo materialista a quem atribui todos os males da cidade, à exceção do fraco por mostarda escura. O fato é que, com pesado dedilhar de palavras, Maicon Tenfen abriu um novo caminho de leitura no Santa. Gostem ou não, riam ou não, concordem ou não, é preciso lê-lo. Hoje, no entanto, ao vislumbrar o abismo entre as opiniões do colunista e o senso comum, admito uma falha em minha previsão: os leitores se acostumaram, sim, a Maicon Tenfen. Mas tenho dúvidas se todos o entenderam. Edgar Gonçalves Jr. - Editor-chefe do Jornal de Santa Catarina
O homem que pronominava - E outras crônicas
Maicon Tenfen
La Ventana
2010
112 páginas
3h 44m
ISBN-13: 9788561063061
Português Brasileiro
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