Começo essa resenha com certo receio, não tenho certeza se minhas palavras podem comensurar, com o devido merecimento, tudo o que esse livro representa. Divido em duas partes, O Farol do Porto da Paz nos apresenta a história de Toninho, filho de um pai turrão e autoritário, uma mãe submissa às vontades do marido e 3 irmãos muito levados, levam uma vida humilde no Rio Grande do Norte. A primeira parte do livro é dedicada à infância de Toninho, acompanhamos seu crescimento, o relacionamento difícil com o pai e as peripécias de uma criança solta pelas belas praias de RN.
Roberto, seu pai, é da marinha e tem muito orgulho disso, seu maior sonho é ver seus filhos seguindo seus passos. Mas, para o desgosto de seu pai, Toninho nunca compartilhou desse sonho. Toninho sempre foi sonhador, criança solta, correndo por aí, subindo em arvore, comendo goiaba direto do pé; mas nunca imaginou onde seus sonhos o levaria.
A segunda parte do livro, dedicada a sua vida adulta, narra a realização de seu sonho; Tonny Paiva, um jornalista. Aquela criança comilona, que corria descalça para cima e para baixo, deu lugar ao profissional ambicioso. Toninho passou um bom tempo em Londres, onde trabalhava como jornalista, até que foi enviado para o Iraque a fim de cobrir a guerra. O que o motivou a ir para o Iraque foi sua ambição, sua busca por fama e reconhecimento. Mas, ao se deparar com os horrores da guerra, toda a barbaria e injustiça, sua motivação é substituída pela compaixão.
Tonny enfrenta o maior desafio de sua vida, se despoja da arrogância e de suas ambições mediante a tanto sofrimento e destruição. Descobre lealdade, onde menos se espera; esperança, onde considera impossível; fé, que há muito já não fazia parte de sua vida; e amor, em um belo par de olhos negros. Tudo o que ele queria ao chegar no Iraque era fama e reconhecimento; agora tudo o que ele quer é recuperar aquele menino inocente e sonhador chamado Toninho.
Kelly nos proporciona, em pouco mais de 400 páginas, uma prova das belezas do nosso Brasil, da doce inocência de uma criança, da determinação de um jovem, e da compaixão de um adulto. Mesmo sem nunca ter visitado o RN, senti uma tremenda nostalgia durante toda a leitura. O cenário, as praias, a vizinhança e a vida cotidiana, foi tão minuciosamente contada que senti como se tivesse vivido lá durante toda a vida. Assim como os horrores da guerra, as bombas, tiros e mortes, tão vividos na memória. Depois de acompanhar essa longa jornada de Toninho, só posso dizer que a paz é encontrada onde menos imaginamos.
Allah Ahkbar!
“Deus é Grande.”