E mais uma vez trilhando essa monumental obra da vida do Machadinho, em 4 volumes, enfim cheguei ao final do Vol. 2.
O início do livro é a sequência imediata do vol. 1, do qual já fiz resenha (inclusive no que tange os capítulos, já que este volume se inicia no de número 29). Se no volume anterior acompanhamos o nascimento e a fase de aprendizagem do Machado de Assis, dentre o ofício de tipógrafo e posteriores trabalhos de jornalista, veículo no qual publicou grande parte de sua poesia, o Vol. 2 começa com o desenvolvimento de sua carreira e a publicação de seu segundo livro de poesia, o Falenas.
Seguindo essa linha, Magalhães Júnior abarca toda a fase romântica do Machado, incluindo publicações de algumas peças de teatro, seus demais livros de poesia, seus romances de primeira fase (de Ressurreição à Iaiá Garcia), e dois livros de contos (Contos Fluminenses e Histórias da Meia-Noite).
Também foi nesse vol. 2 que se lançaram as primeiras, e vagas, informações da produção de Memórias Póstumas de Brás Cubas, bem como a produção e publicação de vários dos seus contos consagrados, que viriam depois a ser reunidos na sua mais famosa antologia, o Papéis Avulsos.
Não poderia, também, esquecer do curioso, para não falar estranho, noivado e casamento que teve com a Carolina, e da ascensão do nosso escritor como funcionário público, precisamente no Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas. Inclusive, foi após uma estafa por excesso de trabalho que o nosso Machado produziu uma gama de seus mais notáveis contos, já acima citados, após um período de descanso em Petrópolis.
Dos pontos negativos da obra, o que posso dizer é que esses não existem. Fiz algumas breves pontuações na resenha do livro anterior, sobre a confusão que me parecia tanta citação dos escritos do Machado e de outros autores da época com a do biógrafo (R. Magalhães Júnior). Minhas suspeitas se confirmaram, e posso dizer que o defeito estava em mim. A leitura, neste volume, me pareceu menos confusa e consegui discernir efetivamente cada passagem do livro, o que exigiu uma leitura mais atenta, obviamente.
Sobre os desgostos e decepções, esse são poucos, mas existem, e mais uma vez repito que estão em mim, e não na obra, da qual apenas sou elogios.
Do que me causou certa insatisfação, o que mais me salta é a mania que alguns biógrafos têm de fazer um detalhado resumo de toda a obra que o biografado produziu. Tive essa irritação com o Moser, em seu Clarice,, e tive neste livro sobre o Machado. Se houvesse alguma explicação justificável, como traçar um paralelo com a vida do autor, ou ao menos levantar uma tese, seria compreensível, mas muito me irrita ver a narrativa da vida do biografado dar lugar a uma detalhada narração do livro ou do conto que este produziu, que diferença nenhuma teria caso substituída por uma breve sinopse. Entendo perfeitamente que essa cisma com spoiler é coisa recente, só que tira um pouco o ânimo de talvez revisitar uma obra a leitura detalhada de todo seu enredo, mesmo sabendo que o clássico está muito além de uma simples concatenação de fatos.
Outra decepção, e que surgiu após alimentar com grande ânsia algo que não veio, foi a explicação da mudança abrupta da fase romântica para a fase realista do Machado. Tem gente que atrela à quase cegueira, tem gente que fala que veio do trabalho... Enfim, o que não faltam são teorias, todas muito obscuras. R. Magalhães Júnior atravessou esse momento sem nada dizer ou insinuar. Passou contando a vida de um extremo ao outro como se Machado tivesse sido sempre os dois em um só. Minha grande â e nova â expectativa, que espero não ver frustrada novamente, é que ele tenha destinado essas informações ao vol. 3 (que já comecei a ler).
Por fim, tenho que reclamar da ausência de fotos do biografado. Entendo que R. Magalhães Júnior escreveu esse monumento há uns bons anos (quarenta anos, para ser preciso), mas o que custava a Record relançar essa obra com a inclusão de uma galeria de fotos? A obra foi relançada no centenário de morte do Machado (2008); não custaria muito tornar esse relançamento algo ainda mais caprichado. Talvez num futuro o façam. É mais uma expectativa que me dou ao luxo de gestar.
Por fim, uma reclamação à editora: pelo amor de Deus, parem de colocar notas de rodapé nos finais dos capítulos. Notas de rodapé, como o próprio nome diz, ficam no rodapé. Por que complicar isso? Seria preguiça ou sadismo com o leitor?
Que venha, agora, o vol. 3, com a maturidade do Machado. E mais uma vez repito para mim mesmo: não se aproximem, expectativas; não se aproximem!
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