Roadie Crew #160 - Soulfly - Extremo como todos almejavam

    Roadie Crew

    Roadie Crew
    2012
    100 páginas
    3h 20m
    Português Brasileiro

    EDITORIAL Por Airton Diniz MOA: uma aventura mal sucedida É inevitável que o tema do editorial desta edição da ROADIE CREW seja a frustração de tanta gente com os fatos desagradáveis que ocorreram no festival "Metal Open Air", e que não se resumiu aos diretamente prejudicados que estiveram presentes em São Luís (MA), mas se esparramou pela comunidade headbanger de todo o país. Num momento como esse é importantíssimo que seja mantida a serenidade e procuremos ter a plena consciência do que pode significar o fracasso desse evento para o cenário do Heavy Metal no Brasil. Primeiro de tudo, quem quer que seja que venha a ser responsabilizado pela Justiça deve arcar com as consequências e assumir as perdas de qualquer natureza que causaram a todos aqueles que ao menos tentaram participar do festival: o público, as bandas, os prestadores de serviços, fornecedores, etc. Ainda assim sobrarão prejuízos impossíveis de serem calculados materialmente, como a decepção por não ver a banda preferida. Aliás, o público, como sempre, foi exemplar. Maior prejudicado com todas as adversidades, mostrou-se contrariado, até indignado, entretanto manteve-se pacífico, um comportamento que é natural no Heavy Metal mas, por incrível que pareça, ainda não entra na cabeça das pessoas que não conhecem o que acontece nesse circuito musical e insistem em relacionar Rock pesado com violência. As bandas também cumpriram um papel digno, principalmente aquelas que conseguiram chegar a São Luís e subir ao palco no Parque Independência, demonstrando respeito para com os fãs. Sobrou para muita gente a dúvida sobre qual será o impacto do fracasso deste que seria o primeiro grande festival do segmento Heavy Metal realizado na região Nordeste do Brasil. Mas, tenho a tranquilidade de dizer que não afetará em nada, e nem há qualquer razão para se estigmatizar o Brasil, o Nordeste, ou o Maranhão, por falhas de organização que comprometeriam o evento sendo ele realizado em São Luís, São Paulo, Paris ou Nova York. Aliás, há alguns anos aconteceu algo semelhante em São Paulo (SP), coincidentemente com um festival com a mesma sigla no nome (MOA-Masters Open Air) que foi abortado antes da abertura dos portões. Precisamos, sim, insistir nos esforços para a ampliação do espaço para shows de artistas nacionais, pois o mercado brasileiro é, e continuará sendo atraente para os shows internacionais. Existem profissionais sérios e competentes neste ramo e não há risco para quem vem de fora, pois os agentes não colocam o artista no palco sem receber o cachê antecipado. E isso é assim em qualquer lugar do mundo. Lembro-me de estar no backstage de um festival europeu conversando com o líder de uma banda alemã, quando ele, ao ver o dono do evento, me disse "...Desculpe interromper nossa cerveja por um instante, mas se eu não pegar meu cachê agora...", e voltou dizendo que conseguira o dinheiro, e o show estava garantido. Pois bem, essa relação é assim mesmo, não importa o tamanho do evento. Ou alguém acha que o "Rock in Rio" paga a contratação de artistas depois do show? A visibilidade negativa na imprensa 'mainstream' também não é novidade, nem surpresa nenhuma. Portanto as coisas continuam, no mínimo, no mesmo patamar de antes. O Metal é muito mais resistente do que muita gente pensa. Airton Diniz

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