Inventário afetivo -

    Silvio Pedro

    Dobra Editorial
    2012
    72 páginas
    2h 24m
    ISBN-13: 9788563550880
    Português Brasileiro

    Todo livro de poemas é uma espécie de inventário afetivo, mas este, de Silvio Pedro, vibra em frequência um tanto diversa. Quem se deixar levar pelo clima ”familiar” que escapa dos poemas de Silvio – e pior ainda se tomá-lo com o significado corriqueiro de aconchego e segurança – não entenderá o quanto esse retrato de família de Inventário afetivo é antes de tudo o lugar do incômodo e das arestas, do desmantelo e dos despojos, de escombros e ruínas. Já senhor de suas armas líricas, Silvio invade o passado contando apenas com a ”palavra esfolada”, disposto a abrigar sua poesia ”entre a pálida voz/ e ruidosas raízes”. Cada verso vasculha uma memória a um só tempo intensa e fugidia, que o poeta se esforça em reter, como se virasse páginas de um álbum de fotografias que se apaga rapidamente e copiasse as imagens à sua maneira, com seus próprios traços e com todas as limitações e desvios da representação. Em meio ao ”lento/ devorar/ dos dias”, a poesia de Silvio fala pouco, versos enxutos a desdobrar as raras palavras que retira de seu ”dicionário íntimo”. Raras, sim: Silvio maneja um vocabulário meticulosamente escolhido, repetindo diversas vezes algumas palavras que, justamente por isso, assumem um papel incisivo na atmosfera do livro, a reverberar o que mais mobiliza a atenção do poeta, a costurar com sons e sentidos sua arquitetura sutil. Palavras como ”mão”, ”silêncio” e ”noite” pontuam boa parte dos poemas, fazendo com que a leitura de cada um deles seja acompanhada pelo ruído de todos os demais. A estreia em livro de Silvio Pedro já era aguardada por aqueles que, nos últimos anos, têm acompanhado suas intervenções em revistas e saraus, sempre tão tímidas quanto fortes (bem como seu empenhado e necessário mergulho na leitura dos poetas de nosso tempo). Por aí, Silvio colheu, com paciência e dedicação de monge, ”verdes versos/ condenados/ ao inverno de gavetas”. Inventário afetivo é o fim de um rico inverno e, quero crer, o início de outro – e nós, seus leitores, temos muito a comemorar desde já. Tarso de Melo

    Resenhas (2)Ver mais
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    Jefferson Vianna17/10/2018Resenhou um livro
    3 (Bom)

    Inventário Afetivo: "a poesia de Silvio fala pouco..."

    Comparado as experiências que tive com livros/leituras do mesmo gênero (poesia), este foi o livro que menos gostei, ou talvez eu ainda não esteja tão preparado para lidar com este tipo de escrita, visto que o autor faz o uso de palavras soltas, ou seja, os textos podem significar algo e expressar sentimentos, mas devem fazer mais sentido para o próprio autor, pois me senti a deriva do início ao fim... Não fosse a sinopse, que por sinal é muito atrativa e bem escrita, eu jamais imaginaria que o livro em si relata uma espécie de retrato de família... Como bem disse Tarso de Melo, o autor da sinopse e da resenha crítica presentes no livro: “a poesia de Silvio fala pouco”, de fato, em minha opinião faltou, ou eu devo ter criado expectativas demais acerca da leitura, fico com ambas as opções...

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