Uma coisa é certa: sem o violão, nossa percepção musical seria completamente diferente. É o instrumento democrático por excelência, prestando-se tanto à execução clássica quanto à popular, com espaço garantido nas salas de concerto como nas rodas de choro, podendo estar no palco, no estúdio ou nas calçadas.
Violão ibérico, de Carlos Galilea, demonstra bem a versatilidade deste instrumento através da história, suas mudanças de formato e de execução. Mais: é uma verdadeira enciclopédia musical.
Enfocando a disseminação do violão na Península Ibérica e na América Latina, com destaque para a música portuguesa, espanhola e brasileira, o texto nos leva pelas mãos de instrumentistas que encontraram sua perfeita expressividade nas curvas e cordas desde as vihuelas até os violões de hoje.
O que mais me chamou a atenção foi o próprio andamento do texto, que assemelha-se a um bate papo descontraído, daqueles que a gente tem com os amigos numa roda, com um acentuado tom de oralidade bem popular e fluente, mérito tanto do autor quanto do tradutor (Carlos Paschoa).
Deliciosas históricas, algumas beirando o folclórico, permeiam todo o texto. Nomes conhecidos e outros quase esquecidos se combinam para compor esta bela partitura que, como se não bastasse a qualidade do texto, é ainda ricamente ilustrada.
Merece destaque o projeto gráfico e a diagramação de Luciana Gobbo, que praticamente nos põe nas mãos um violão em forma de livro.
Aos violonistas um aviso: a leitura pode demorar um pouco, pois a cada capítulo lido tem-se a vontade incontrolável de tomar o instrumento nos braços e, agradecido, tanger o que nos toca.