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    Um comedor de ópio -

    Charles Baudelaire

    Newton Conpton Brasil
    1996
    98 páginas
    3h 16m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro
    3.7
    80 avaliações
    Leram169Lendo7Querem88Relendo0Abandonos5Resenhas2
    Favoritos3Desejados88Avaliaram80
    Resenhas (2)Ver mais
    genni.goncalves picture
    genni.goncalves29/09/2023Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    ...O sofrimento é o ópio do povo...

    A leitura desse livro me tocou de maneira bem pessoal. São os relatos de um consumidor de ópio (culposamente ou dolosamente viciado, eis a questão. Isso importa a essa altura?), droga potente, comentados por Charles Baudelaire. Não vou destrinchar a obra em seus aspectos e elementos literários, narrativos, etc. Gostaria apenas de deixar um simples comentário. Você, assim como eu, sejam quais forem as batalhas que enfrenta, que além disso também é acometido de um vício, seja ele lícito ou ilícito; seja o cigarro ou a bebida, sejam as drogas alucinógenas, estimulantes ou depressoras, sejam os remédios... Você se identificará com os sofrimentos do personagem; talvez até com sua solidão e retiro. Com suas angústias. Com suas tentativas e recaídas. Com sua desolação e dores. A mensagem que fica do livro, pelo menos pra mim, é: sua dor é vista, e não ignorada. Independente da cortina moral e pudores da época na qual se desenrola a narrativa (e que, apesar dos mesmos pudores, muitos jaziam inertes em vícios e prazeres culposos sem ousarem jogar luz nos problemas da época; escolhendo, antes de tudo, manter as aparências "perfeitas" e estigmatizar os falhos), o personagem foi visto em suas angústias assim como ele tinha a sensibilidade de ver aos outros. É um problema de saúde física, mental, emocional e social que perdura até os dias de hoje e que deixa muitos desolados inertes – embora queiram se mover pra fora do abismo – e à mercê de suas próprias desesperanças.

    6 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    3.7 / 80
    • 5 estrelas24%
    • 4 estrelas34%
    • 3 estrelas35%
    • 2 estrelas6%
    • 1 estrelas1%
    Charles-Pierre Baudelaire profile picture

    Charles-Pierre Baudelaire

    Órfão de pai aos seis anos, Charles-Pierre Baudelaire viria a odiar o segundo marido da mãe, o general Jacques Aupick (mais tarde, esse sentimento inspiraria sua atitude rebelde em face das convenções sociais e dos temas frívolos na poesia). Após anos de desavenças com o padrasto, Baudelaire interrompeu os estudos em Lyon para fazer uma viagem à Índia. Na volta, participou da Revolução de 1848. Após esse período conturbado, passou a freqüentar a elite aristocrática. Envolveu-se com a atriz Marie Daubrun, a cortesã Apollonie Sabatier e a também atriz Jeanne Duval, uma mulata por quem se apaixonou e a quem dedicou o ciclo de poemas "Vênus Negra". Em 1847, lançou "La Fanfarlo", seu único romance (trata-se, mais propriamente, de uma novela autobiográfica). Dez anos depois, quando se publicaram "As Flores do Mal" ("Les Fleurs du Mal"), todos os envolvidos com o livro foram processados por obscenidade e blasfêmia. Além de pagarem multa, viram-se obrigados a retirar seis poemas do volume original (só publicado na integra em edições póstumas). Tanto "As Flores do Mal" como "Pequenos Poemas em Prosa" (póstumos, 1869) introduziram elementos novos na linguagem poética, fundindo opostos existenciais como o sublime e o grotesco. Entre seus ensaios, destaca-se "O Princípio Poético" (1876), em que fixa as bases de seu trabalho. Nos diários (também publicados postumamente), revela-se profético e radical contestador da civilização moderna. Literato que avançou as fronteiras dos costumes em sua época, Baudelaire lançou-se como crítico de arte no Salão de 1845, sempre buscando um princípio inspirador e coerente nas obras artísticas. ("Salão" era o nome pelo qual se conhecia a mais importante mostra anual da pintura e da escultura francesas.) De 1852 a 1865, Baudelaire traduziu os textos do poeta e contista norte-americano Edgar Allan Poe, por quem se entusiasmara já no final da década de 1840. Outro Baudelaire, o sifilítico e usuário de drogas, surge em "Os Paraísos Artificiais, Ópio e Haxixe" (1860), uma especulação sobre plantas alucinógenas, parcialmente inspirada pelas "Confissões de um Comedor de Ópio" (1821), do escritor inglês Thomas de Quincey. Há também obras de cunho intimista e confessional, como "Meu Coração Desnudo". Baudelaire foi um dos maiores poetas franceses de todos os tempos. Alguns o consideram um antecessor do parnasianismo, ou um romântico exacerbado. Pioneiro da linguagem moderna, impôs à realidade uma submissão lírica. Embora muito criticado, tinha entre seus admiradores homens como Victor Hugo, Gustave Flaubert, Arthur Rimbaud e Paul Verlaine. Dissipou seus bens na boemia e na jogatina parisienses. Mergulhado em dívidas, teve de resignar-se a medidas judiciárias tomadas pelos familiares, e um tutor foi nomeado para controlar-lhe os gastos. Seus últimos anos foram obscurecidos por doenças de origem nervosa. Após uma vida repleta de tribulações, Baudelaire morreu com apenas 46 anos, nos braços da mãe. Seu talento e seu intelecto só seriam totalmente reconhecidos depois. No século 20, tornou-se um ícone, influenciando direta e indiretamente toda a moderna poesia ocidental.

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