Levei as minhas mãos instintivamente na cruz em meu pescoço buscando alguma forma de consolo. Naquele instante a minha morte era evidente e inevitável e eu a aceitaria de bom grado, pois ela levaria consigo toda a dor pela qual passei nesses últimos tempos me aliviando desse sofrer de uma vez por todas. Fechei os olhos. Não senti nem ouvi mais nada depois disso, tudo ao meu redor se tornou um vácuo, apenas esperei o meu fim solenemente. Somente um longo silêncio se seguiu. Minhas lágrimas rolavam quentes no meu rosto, será que eu estava morta? Será que a morte era tão delicada e sutil que nem mesmo fosse perceptível? Juntei o pouquinho de coragem que eu ainda possuía e abri meus olhos lentamente. Foi difícil no início. Eu não entendia nada do que estava acontecendo, pois a minha visão estava embaçada e turva devido à força com que fechei os olhos. Quando finalmente consegui focalizar minha visão e ver o que acontecia a minha frente meu coração que estava quieto no meu peito e já conformado em partir voltou a martelar rapidamente quase rasgando meu peito, senti meu sangue voltar a correr por todo o meu corpo, minha respiração se acelerou e todos os meus outros sentidos explodiram novamente. Não fora a morte que vira me buscar mais sim a razão de toda a minha existência que havia voltado. Enzo o meu amado.

