Satisfatório
"I think the Lord has done a' He can for you, and more than you deserve, too, if you don't do something for yourself." Cousin Phillis tem um enredo previsível, o que não é um demérito, porque o valor de uma história está mais em como é contada, e não em sua capacidade inventiva. O que me surpreendeu positivamente foi justamente a forma como Gaskell decidiu narrá-la. Tendo lido outro livro seu narrado terceira pessoa, pensei que este também seria; pouco esperava que sua prosa em primeira pessoa seria tão boa. A escolha de Paul como narrador foi muito peculiar, até porque você espera que o romance seja contado por um dos personagens envolvidos. Juro que, mesmo tendo lido a sinopse de antemão, até a parte dois fiquei agoniada com a possibilidade de um iminente romance entre dois "parentes". Quando se faz isso, há uma grande possibilidade de que nenhum dos personagens seja remarcável, e a narrativa acabe morna independente do conflito, pois não há ninguém de interesse para o leitor que será afetado. Apesar disso, achei que essa diarquia excelente e tornou o livro rico em duas coisas: primeiramente, o Manning enriquece a compreensão social da obra. Ele é um 'navvy' (trabalhador ferroviário) que nos possibilita ver bem a vida dos trabalhadores durante a expansão industrial, algo que, se fosse só a história da Phillis, não passaria de meras impressões. Agora, a parte emocional em si ficou por conta da prima Phillis, uma mocinha leitora e intelectual, criada no seio da família, que enfrentará sua primeira grande turbulência individual — um coming-of-age meio clichê. Enfim, são dois opostos que se complementam muito bem! Em suma, foi uma leitura satisfatória.

