O “Rebojo” de Cristiano Moreira é o rebojo do mar, mas é também o rebojo da linguagem. Mas o que seria então esse rebojo? Nada mais que a mudança repentina do vento que provoca o repuxe, o solavanco, o balanço brusco do mar; que pode fazer com que nos desequilibremos; que pode nos deixar sem a sensação de apoio, para os desavisados o enjôo é inevitável, mas que na linguagem do pescador, simplesmente, pode acabar com a pescaria e fazer com que a baleeira retorne à margem. Isso evidencia que o mar e a linguagem de Cristiano não são diferentes do mar e da linguagem que supostamente conhecemos, talvez o olhar dele como autor, que comunga com o olhar do pescador, é que faz com que isso os torne diferentes.