O livro relata a história da Companhia de Jesus (e outras Ordens) na Índia, dentro do período de 1542 a 1622. Maria de Deus discute não apenas os pontos negativos da estadia da Companhia e seus impactos na sociedade indiana, mas também os positivos. Outro detalhe é que por vezes a autora remete a outras regiões para explicar ou exemplificar a atuação jesuítica, levando o texto também para o ambiente europeu para explanar posturas tomadas, ordens, causas, problemas e pensamentos originários das Ordens na Índia. A autora põe em destaque três lugares em específico para direcionar seus discursos: Malabar, Cochim e Goa, mas aborda inúmeras outras regiões para construir seus argumentos.
A começar pela escrita da autora, ela consegue ter uma linha de raciocínio muito tênue e compreensível. Ela tem apenas um defeito muito grande e que me incomodou muito ao longo da leitura: repetição frequente (frequente mesmo, quase que a cada página) e em diversos momentos desnecessária da palavra "nomeadamente". Obviamente era possível ter feito uma substituição de um sinônimo, chega a ficar chata e repetitiva a leitura com essa palavra em específico. Mas no geral, é uma leitura prazerosa e mesmo para quem nunca leu nada acerca do tema, consegue compreender facilmente os escritos da autora.
O livro é muito bem dividido em tópicos e capítulos, e a autora não "atropela" assuntos. Ela cita fontes diretas dos jesuítas, a qual fala, como cartas e documentos oficiais, autores reconhecidos conhecedores do tema, além de supracitar inúmeros personagens reais que participaram da história (também real) destacada pela autora. Padres, missionários, indivíduos do governo local e demais homens que estavam inseridos diretamente na organização política-jesuítica na região indiana.