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    The King in Yellow -

    Robert W. Chambers

    Amazon Digital Services, Inc
    2012
    203 páginas
    6h 46m
    ISBN-10: 1463705034
    3.6
    45 avaliações
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    Igor Alves picture
    Igor Alves01/10/2024Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    "The King in Yellow" é um livro de contos no mínimo peculiar. Quatro de seus 10 contos são diretamente situados em torno de um livro em particular; além delas, dois tem uma relação bem vaga com os primeiros; e os contos restantes são temáticos, mas sem qualquer relação com o Rei. Dito isso, comecemos pelo início, The Repairer of Reputations (algo como "O Reparador de Reputações"). "Strange is the night where black stars rise And strange moons circle through the skies But stranger still is Lost Carcosa." Por volta do ano de 1920, os Estados Unidos estavam terminando de implementar um programa social inédito. O país estava tranquilo, questões tarifárias e trabalhistas foram resolvidas; a guerra com a Alemanha, iniciada quando o país invadiu as ilhas Samoa, foi resolvida e não deixou nenhuma marca na República, mesmo com a invasão de Norfolk, o que talvez se deva à derrota do exército prussiano em New Jersey. O país estava próspero: em todo lugar, até mesmo a arquitetura estava mudando; ruas foram pavimentadas e asfaltadas, árvores plantadas, estruturas elevadas demolidas e estradas subterrâneas construídas para substituí-las; o país tinha adotado medidas políticas que foram bem vistas por toda a população, como a exclusão dos judeus estrangeiros como forma de auto-preservação, a fundação do estado independente negro de Suanee, as leis mais rígidas de imigração e naturalização e a gradual centralização do poder no executivo, tudo contribuiu para a paz e prosperidade nacionais. O problema indígena foi resolvido e com isso, o colossal Congresso de Religiões que iniciou-se em seguida foi um sucesso... Graças a tudo isso, a intolerância e violência foram sepultadas em seus túmulos e gentileza e caridade começaram a unir as pessoas, e tudo apontava que o novo milênio tinha chegado ao Novo Mundo. Como que para coroar esse novo mundo idílico, depois de um longo clamor popular, as leis que proibiam o suicídio foram revogadas, pois o Governo achou melhor reconhecer o direito do homem de pôr fim à uma existência que era intolerável para ele mesmo. Segundo o anúncio oficial, a comunidade irá se beneficiar com a remoção de tais pessoas de seu âmago; mas mesmo com as novas leis, o número de suicídios não aumentou. Preocupado com isso, o Governo resolveu instalar câmaras de suicídio em todas as cidades, vilas e vilarejos do país, na esperança de que tais pessoas aceitem esse alívio à suas condições. Quem nos apresenta essa realidade é Hildred Castaigne. Alguns anos atrás, após uma fatídica queda de cavalo, ele foi internado em um asilo para doentes mentais. Depois de anos dizendo que sua mente estava tão boa quanto, se não melhor que a de seu médico, finalmente foi liberado. Durante sua recuperação, ele adquiriu e leu pela primeira vez um livro chamado "O Rei de Amarelo" e isso mudou sua vida: "I remember after finishing the first act that it occured to me that I had better stop. I started and flung the book into the fireplace; the volume struck the barred grate and fell open on the hearth in the firelight. If I had not caught a glimpse of the opening words in the second act I should never have finished it, but as I stooped to pick it up, my eyes became riveted to the open page, and with a cry of terror, or perhaps it was of joy so poignant that I suffered in every nerve, I snatched the thing out of the coals and crept shaking to my bedroom, where I read it and reread it, and wept and laughed and trembled with a horror which at times assails me yet. This is the thing that troubles me, for I cannot forget Carcosa where black stars hang in the heavens; where the shadows of men's thoughts lengthen in the afternoon, when the twin suns sink into the lake of Hali; and my mind will bear forever the memory of the Pallid Mask. I pray God will curse the writer, as the writer has cursed the world with this beautiful, stupendous creation, terrible in its simplicity, irresistible in its truth - a world wich now trembles before the King in Yellow." Esse é o primeiro contato do mundo de Hildred com esse livro misterioso. Segundo ele, quando o governo francês confiscou todas as cópias traduzidas que tinham acabado de chegar à Paris, Londres, claro, ficou obcecada em lê-lo. É conhecido por todos como o livro se espalhou como uma doença infecciosa, de cidade em cidade, de continente em continente, barrado aqui, confiscado acolá, denunciado pela imprensa e pela Igreja, censurado até mesmo pelos mais avançados anarquistas literários. Nenhum princípio tinha sido violado naquelas malditas páginas, nem elas poderiam ser julgadas por qualquer padrão e era inegável que O Rei de Amarelo tinha atingido um novo supremo patamar na arte. "[...] all felt that human nature could not bear the strain, nor thrive on words which the essence of purest poison lurked. The very banality and innocence of the first act only allowed the blow to fall afterward with more awful effect." Desde que saiu do asilo, Hildred tem levado uma vida totalmente diferente de antes. Mais recluso, abandonou todas as atividades que costumava praticar, da pesca e caça, passando pelo hipismo e até pelas simples caminhadas, passando horas lendo. Seu principal amigo se tornou um tal de Mr. Wilde; um homem marcado por deformidades, como uma mão esquerda sem nenhum dedo, ausência de orelhas (substituídas por próteses de cera), e uma pele estranhamente amarelada; mas para Hildred, o aspecto mais marcante de Mr. Wilde era o fato de um homem de tamanha inteligência possuir uma cabeça tão estranha, plana e alongada, características que levaram muitas pessoas a serem internadas em hospícios. Mr. Wilde tinha uma profissão prestigiosa e misteriosa, ele era um Reparador de Reputações, o qual usava de qualquer meio para reparar e ocultar fatos condenáveis das reputações de seus clientes, que acabavam ficando severamente endividados e servindo como mão de obra para eventuais reparações. A relação entre os dois tinha um elo em comum: O Rei de Amarelo. O Rei tem servos em todos os lugares e apenas seu mais leal súdito está apto a sentar-se à sua direita, e esse é o objetivo de Hildred. Esse é o primeiro ato da história do Rei, mas falar mais que isso seria inadequado. Vamos então ao segundo momento, The Mask, ou "A Máscara" Partindo de New York, vamos então para Paris, França. Conhecemos o escultor Boris Yvain e sua mulher Genevieve, além do pintor Jack Scott, apresentados pelas palavras de seu amigo Alec. Os quatro têm uma relação complexa, para dizer o mínimo. Yvain descobriu uma substância misteriosa que consegue transformar seres vivos em mármore, e planeja revolucionar a arte com isso. Alec e Genevieve são contra isso, temerosos por essa substância que aparentemente destrói a vida e torna eterna sua forma, mas de alguma forma continuam apoiando seu amigo, até que uma tragédia acontece. Em meio ao turbilhão de emoções que se segue, Alec, vagando febrilmente pela biblioteca da casa de seu amigo, encontra um livro e começa a ler, percebendo tarde demais que a obra era "O Rei de Amarelo". "I thought, too, of the King in Yellow wrapped in the fantastic colours of his tattered mantle, and the bitter cry of Cassilda, 'Not upon us, oh King, not upon us!' Feverishly I struggled to put it from me, but I saw the lake of Hali, thin and blank, without a ripple or wind to stir it, and I saw the towers of Carsosa behind the moon. Aldebaran, the Hyades, Alar, Hastur, glided through the cloud-rifts which fluttered and flapped as they passed like the scollopped tatters of the King in Yellow." Esse é o segundo ato, a primeira amostra do poder que O Rei de Amarelo tem de chegar às mãos de seus leitores. Agora vamos ao terceiro momento, In The Court of The Dragon ou "Na Corte do Dragão". A história começa na Igreja de St. Barnabé, em Paris. Um jovem está procurando na igreja descanso para se recuperar dos danos causados à sua mente pela leitura de O Rei de Amarelo; sua esperança é que o local sagrado e o som magnífico do órgão o ajudem. "I was worn out by three nights of physical suffering and mental trouble: the last had been the worst, and was an exhausted body, and a mind benumbed and yet acutely sensitive, which I had brought to my favourite church for healing. For I had been reading The King in Yellow." Entretanto, enquanto ouvia a missa, sentado como os demais fiéis na Igreja, o rapaz notou que o órgão estava estranho, soando terrivelmente e ninguém parecia prestar atenção a isso; então ele viu quem estava tocando o instrumento e isso o encheu de um terror absoluto, mesmo sem entender o porquê. Logo ele se vê perseguido por essa entidade sombria onde quer que vá, até um encontro inevitável. "It is a fearful thing to fall into the hands of the living God!" Esse foi o terceiro ato, e é o mais breve de todos, pois mostra o quão fútil é tentar escapar do Rei de Amarelo. O quarto e último momento é The Yellow Sign ou "O Emblema Amarelo". A história dessa vez retorna à Washington Square, onde o narrador, Mr. Scott, é um pintor de certo renome. Certo dia, enquanto parava momentaneamente de pintar um estudo de sua modelo, Tessie Reardon, ele olha pela janela e vê um homem na escadaria da igreja e essa mera visão o repudia de tal forma que o faz errar o que estava pintando. Enquanto essa estranha impressão ficava gravada nele, ele comenta isso com Tessie, que relata um sonho estranho e recorrente dela: uma carruagem funerária carregando um caixão onde Scott jaz ainda vivo, e quando ela olha pela janela, recua assustada, ao reconhecer o homem na escadaria como o condutor da carruagem de seu sonho. Apesar de preocupado com isso, Scott descarta a ideia, alegando que é apenas coincidência. No dia seguinte, enquanto passava pela igreja a caminho de casa, ele ouve o estranho falar com ele de seu lugar nos degraus: "Você encontrou o Emblema Amarelo?", mas sem entender, ele foge assustado. Quando ele chega em casa, uma série de acidentes faz com que machuque ambas as mãos, ficando impossibilitado de pintar. Vendo seu desespero, Tessie lhe dá uma pedra de obsidiana gravada com um estranho símbolo dourado, que ela encontrou logo após sonhar com a carruagem pela primeira vez. Enquanto ele se afasta para guardar a curiosa pedra, ele volta à sala e encontra Tessie lendo um livro, o qual ele descobre horrorizado, ser "O Rei de Amarelo", o que deveria ser impossível, já que ele nunca comprou tal livro e jurou nunca nem chegar perto dele depois do que houve com seu amigo Hildred Castaigne. Após tentar de todas as formas afastar Tessie da obra maldita, ele acaba lendo o livro também, e após algum tempo, percebe que está discutindo "O Rei de Amarelo" com Tessie. "Oh the sin of writing such words, - words which are clear as crystal, limpid and musical as bubbling springs, words which sparkle and glow like the poisoned diamonds of the Medicis! Oh the wickedness, the hopeless damnation of a soul who could fascinate and paralyze human creatures with such words, - words understood by ignorant and wise alike, words which are more precious than jewels, more soothing than music, more awful than death!" Enquanto discutiam, perceberam, embora tarde demais, que a misteriosa pedra era o Emblema Amarelo, ligado diretamente à vontade do Rei, mas as sombras já estavam se aproximando deles. Esse é o quarto e último ato, a chegada do emissário do Rei. "O Rei de Amarelo" é um livro que leva à loucura quem o lê, ou assim dizem aqueles que nunca o leram. Nessas quatro histórias, todas interligadas, Chambers constrói uma realidade paralela ao início do nosso século XX, diferente, mas com algumas semelhanças assustadoras. Nessa realidade, o livro "O Rei de Amarelo" é algo como um portal para outro lugar: Aldebaran com seus sóis gêmeos e suas estrelas negras, um lugar onde o Rei reina absoluto, e de onde estende seu poder para outros lugares em busca de seguidores. Quatro contos; isso foi tudo o que Chambers escreveu sobre o Rei de Amarelo, mas de alguma forma esse livro dentro de um livro influenciou autores como Lovecraft e Poe até Gaiman e King, ou seja, sua marca está presente em grande parte da literatura fantástica que por sua vez se inspiraram nesses quatro. Lovecraft é um caso especial, porque ele buscou inclusive expandir a criação de Chambers, que se tornou essencial em sua obra. Muitos livros retratam a loucura de seus personagens, geralmente de forma satírica como Gogol em seu "Diário de um louco" ou na clássica loucura sábia como outra face da razão de Erasmo de Rotterdan em seu "Elogio da Loucura"; a loucura dos personagens de Chambers, no entanto, é construída sutilmente, e o fato deles serem sempre os narradores, faz o leitor se tornar parte da narrativa e do estado mental de seu anfitrião na história, o que é um feito magnífico, ainda que bem perturbador. Mas esses são apenas os contos iniciais da antologia que é "O Rei de Amarelo". Os dois contos seguintes, "The Demoiselle D'Ys" e "The Prophet's Paradise" são histórias fantásticas, que também exploram outras realidades, mas que não têm relação direta com os eventos dos contos do Rei. Os outros quatro contos seguintes, "The Street of the Four Winds", "The Street of the First Shell", "The Street of our Lady of The Fields" e "Rue Barrée" são tão tematicamente diversos das primeiras seis histórias que é possível pensar estar lendo outro livro: são obras de ficção histórica realistas (escola literária) e românticas (também escola literária), que giram em torno dos temas favoritos do autor, a vida dos artistas e a Paris da Belle Époque. Ainda assim são histórias extremamente bem escritas, algumas bem trágicas e outras genuinamente divertidas, o que mostra a incrível capacidade de criação de Chambers. Esses livros do final do século XIX e início do século XX tem um certo charme em suas edições originais que traduções para outros idiomas muitas vezes falham em captar, então a versão que procurei ler e reler foi a original em inglês, mas como o livro faz parte do domínio público atualmente, é super fácil encontrá-lo em qualquer idioma (tudo parte do plano do Rei), e existem edições em português belíssimas! No mais, esse é um livro incrível, essencial para fãs de terror e de literatura fantástica, e uma leitura mais que adequada para o mês das bruxas.

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    3.6 / 45
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    Robert William Chambers

    Robert William Chambers (May 26, 1865 – December 16, 1933) was an American artist and fiction writer, best known for his book of short stories entitled The King In Yellow, published in 1895.

    13 Livros
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    New York, Estados Unidos da América

    Robert William Chambers