?A resistência ao mal vem do arrependimento.?
Abordando o tema "redenção", a inspiração para escrever o conto Markheim fora tirada de uma revista francesa, após Robert Louis Stevenson ler um artigo sobre o subconsciente.
O conto se passa em uma loja de antiguidades, quando Markheim que ultimamente vinha à loja para penhorar coisas surge com uma conversa de que está procurando um presente para sua noiva. É noite de Natal, o antiquário já estava a fechar suas portas, mas mesmo assim recebe Markheim não muito de bom grado.
O antiquário oferece à Markheim um espelho, mas Markheim recusa com rispidez o objeto oferecido. A partir daí começa um confronto verbal entre vendedor e cliente, Markheim quer saber o porquê do antiquário lhe oferecer um espelho. E o pior acontece minutos depois, quando o antiquário resolve dar as costas e procurar outro objeto. ( Sem Spoiler )
Depois do ocorrido, Markheim precisa terminar o que começou. Ele decide procurar as chaves e roubar o dinheiro da loja antes que alguém chegue. O medo de ser descoberto e de que haja um delator no lugar, faz com que Markheim comece a ouvir passos. Os passos são interrompidos quando um homem bate à porta da loja e chama pelo dono, mas ele logo vai embora. Isso agrava mais ainda a paranoia que começa a se formar no subconsciente de Markheim.
Os passos aumentam. E na busca das chaves, Markheim decide subir as escadas. É quando uma porta abre e nela surge um homem que lhe observa e depois lhe fala como proceder diante do crime que está cometendo.
O mais assustador e extremamente fascinante, um dos melhores que já li é o diálogo entre Markheim e esse homem misterioso que acabara de aparecer. O homem é real? Como ele sabe tudo sobre o Markheim? Por que ele quer ajudá-lo? Como ele sabe o que acontecerá no futuro de Markheim? Essas e outras perguntas vão se formando, mas a resposta nos é dada e respondida com mais duas perguntas - e interpretada com duas opções: o homem é o Diabo? Ou Markheim apenas está se vendo nos reflexos dos espelhos que decoram a loja? Markheim deve continuar nessa vida? Ou Markheim irá se arrepender de seus atos?
O mais intrigante do diálogo entre Markheim e o diabo ou sua própria imagem nos espelhos é que Markheim não demonstra arrependimento algum. Ele passa um ar de aceitação, não fugindo dos crimes que cometeu ou que irá cometer, mas isso é dito de um modo a confrontar o mal por pura pirraça. Ele não está arrependido de fato, mas ele não está disposto a alegrar o diabo. Loucura?
?Se estou condenado a só praticar más ações - disse -, quer dizer que uma porta de liberdade ainda me resta. Posso deixar de agir. Se a minha vida é qualquer coisa de maléfica, posso renunciar a ela. Ainda que esteja à mercê de qualquer tentação, como o senhor muito bem o disse, me resta a possibilidade de me colocar longe do alcance de todas elas. O meu amor pelo bem está condenado à esterilidade; pode ser que assim seja. Mas existe ainda em mim o ódio pelo mal e verá, para sua decepção, como por ele eu posso conquistar coragem e energia.? Markheim.
Pra finalizar, deixo aqui o que é dito na chegada da funcionária criada da loja: ?É melhor que chame a polícia. Matei seu patrão.?
Por mais curto que seja o conto Markheim, vale a pena ser lido. É uma lição sem preço sobre o subconsciente de um criminoso diante de seus atos. ?Um homem que é mau e que diante do mau odeia o mal.? - entendeu o meu subconsciente?