esse é simplesmente o livro mais denso que já li na vida, tanto que assisti uma disciplina inteira de doutorado chamada Teoria estética, em que ele era o ÚNICO texto da bibliografia e todo objetivo era compreendê-lo, ou, talvez mais apropriadamente, conversar e pensar com ele, porque (e essa foi a nossa primeira semelhança) o Adorno também não é um dos maiores fãs da ideia de compreensão.
Outra semelhança é a nossa devoção pelos paradoxos e pelas contradições, e outra é o pensamento em redemoinho, sem nunca chegar às respostas e ao olho do furacão. Falando em redemoinho, acho que Riobaldo ia amar Adorno, e Adorno ia amar o Riobaldo. Também pensei o tempo todo em Marguerite Duras, ela não me sai da cabeça, nada que é escrito em linguagem de naufrágio sai da cabeça. Adorno é assim também, um despedaçamento só. Enlouquecedor, tremeluzente.