Situado na cidade de Petrópolis, o primeiro volume da série “Aldeia de Santo Pedro” inicia a narrativa apresentando a família Baleares, referência nos anos 80. De forma a ilustrar as relações tecidas entre os componentes, expõe as diferenças existentes entre os irmãos Ramcy, Richard e Edgard, ressaltando os conflitos frequentemente surgidos. A vida “pacata” é interrompida pela divulgação de desaparecimentos nos arredores da cidade, movimentando grupos de buscas organizados pelo Barão, Juan Baleares.
Com o progresso temporal, a história passa a acompanhar Diana, recentemente alijada da presença dos pais devido ao falecimento de ambos. Permeando as questões próprias da adolescência, as descobertas da menina acerca do passado da cidade somam-se às lembranças da sua avó, que conheceu Celina Baleares. A partir da lenda sobre a água que cura todas as enfermidades e torna dependentes todos aqueles que a ingerem, Diana parte em investigações sobre a misteriosa tragédia que vitimou a família Baleares, soterrada nos escombros da própria residência. Com o desenvolver dos acontecimentos, as fronteiras do tempo começam a ser desfeitas, fortalecendo a conexão entre a história da prestigiada família de Petrópolis e o interesse crescente da jovem.
Encerro a leitura fluida e de fácil compreensão de “Água” com a impressão de que os olhos e os boatos são capazes de camuflar as verdades por trás dos fatos. Ao passar pelas últimas páginas do livro, algumas perguntas ecoavam: "Será que fui traída pelas impressões?", "Será que me deixei levar pelos argumentos?". Algo me diz que sim, mas apenas os próximos volumes confirmarão.