O livro de Maria das Graças Andrade Ataíde de Almeida, além de trazer contribuição à história social e política de Pernambuco durante a Interventoria de Agamenon Magalhães (1937-1945), representa um eficaz exemplo metodológico quanto ao uso da fotografia como fonte de informação e interpretação históricas. As imagens em seu trabalho não são meras " ilustrações" ao texto, ao contrário, explicitam ao leitor a ideologia do regime varguista estampada na imprensa carioca e pernambucana. A autora demonstra a importância da fotografia como poderoso instrumento de denúncia social quando em mãos de turistas "advenas", as quais não tinham permissão para dirigirem suas câmeras a nenhum tipo de cenário que maculasse a nova imagem da cidade idealizada pelo Estado. Uma nova imagem que não admitia a fisionomia da arquitetura colonial, identificada com o atraso e com as fantasmas do passado. Os olhares dos turistas foram dirigidos para os espaços idealizados de forma que as câmaras registrassem apenas "cartões postais". Fragmentos localizados de modernidade, erigidos sobre os palcos das avenidas e jardins, agora limpos, higienizados, iluminados, mascarando o grande espetáculo da miséria, que se viu, de súbito, transformado em pesadelo imaterial, apenas uma fantasia da imaginação. Uma imagem sem foro, uma "verdade" autoritária.