Para isso o engabela e tenta fazê-lo assinar um documento que mostraria o coronel Chabert como um falsário. Ele descobre o plano da mulher, se indigna, contudo não possui meios de dar continuidade ao processo. De modo que não resta outra saída senão resignar-se e permanecer morto, mesmo estando vivo. Vinte anos depois, Derville o encontra em Bicêtre, com quase nada que lembrasse um ex-soldado de Napoleão. “Que destino! — exclamou Dervile. — Saído do hospício das Crianças Abandonadas, vem morrer num hospício de Velhice, depois de ter, no intervalo, ajudado Napoleão a conquistar o Egito e a Europa.” (pág. 74) Glórias do passado e senso de dever não significam nada perante o egoísmo, a ganância e a vontade de ascender socialmente. A atitude da condessa Ferraud não é anormal dentro das tramas que compõem a Comédia Humana, em que parecer poderoso é ser poderoso. Isso não é incomum em nossos dias, conviver com “monstros morais e ainda rir e se divertir”. Chabert venceu batalhas, a doença e a morte, mas não conseguiu derrotar nem a burocracia nem a pobreza de espírito de uma mulher para retomar sua identidade perdida. Triste fim para um guerreiro.
Le Colonel Chabert -
Honoré de Balzac
Flammarion
2007
120 páginas
4h 0m
ISBN-13: 9782081206915
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