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    Cida Moreira - A Dona das Canções

    Thiago Sogayar Bechara

    Imprensa Oficial do Estado de São Paulo
    2012
    288 páginas
    9h 36m
    ISBN-13: 9789840100213
    Português Brasileiro
    4.7
    3 avaliações
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    No final de 2007, o então estudante de jornalismo Thiago Sogayar Bechara dava início às primeiras pesquisas que resultariam em seu Trabalho de Conclusão de Curso da graduação, a reportagem biográfica “Cida Moreira: A Dona das Canções”, cujo lançamento aconteceu no dia 17 de dezembro de 2012, a partir das 19h, no Museu da Imagem e do Som – MIS de São Paulo (Av. Europa, 158). Desde então, o jovem – que já trazia dois livros de poesia na bagagem -, encantou-se definitivamente com o gênero de perfis e biografias, dando sequência à sua descoberta com uma série de trabalhos os quais, feitos posteriormente, acabaram saindo antes, por questões editoriais: “Imara Reis: Van Filosofia” (Imprensa Oficial, 2010), “Luiz Carlos Paraná: O Boêmio do Leite” (Independente, 2012), “A linguagem corporal circense: interfaces com a educação e a atividade física” (Phorte, 2012). Thiago e Cida Moreira conheceram-se em 2006 como aluno e professora de técnica vocal - indicação da atriz e diretora Denise Del Vecchio. Desde então, aproximaram-se também como amigos, donde surgiu o fascínio pelo consistente trabalho da cantora, atriz e pianista paulistana que estreou profissionalmente em 1977, na primeira peça de Alcides Nogueira, dirigida por Marcio Aurelio. Desde então, passou por grupos importantes para a história do teatro brasileiro como Ornitorrinco e Pod Minoga. Foi convidada por Chico Buarque de Hollanda para atuar na montagem original do musical “Ópera do Malandro”, em 1978, ao lado de Cacá Rosset, Maria Alice Vergueiro, Elba Ramalho, Marieta Severo e outros; e seguiu conciliando sua carreira como psicóloga em montagens como “Mahagonny songspiel”, até decidir lançar-se aos palcos definitivamente. Seu primeiro show solo foi “Summertime”, direção de José Possi Neto, gravado ao vivo no Teatro Lira Paulistana e lançado em LP antológico. Partindo de uma metodologia de trabalho distinta da maioria dos perfis lançados pela Coleção Aplauso, coordenada pelo crítico Rubens Ewald Filho, e tendo em vista as necessidades exigidas pela versão acadêmica de seu projeto, o autor optou, em “Cida Moreira: A Dona das Canções”, por uma narrativa em terceira pessoa, o que permitiu não apenas uma inclusão mais orgânica dos depoimentos e pontos de vista de todos os entrevistados, mas igualmente de momentos de contextualização histórica, visando ao enriquecimento do texto para o melhor dimensionamento da importância da atuação de Cida Moreira no cenário cultural do País, o que foi obtido por meio de pesquisas e consultas bibliográficas. Alguns dos temas abordados em paralelo e que dialogam diretamente com a carreira de Cida podem ser exemplificados aqui em casos como o do cinema da Boca do Lixo; o teatro épico de Brecht e o efeito de distanciamento; os grupos de teatro amador da cidade de Assis; a indústria cultural e os modos de produção independente na música e no teatro dos anos 1970 e 1980. Foram entrevistados parentes, amigos e artistas do teatro e da música brasileiros, tais como: Chico Buarque de Hollanda, Elba Ramalho, Zélia Duncan, Alcides Nogueira, Marcio Aurelio, Emiliano Queiroz, Denise Del Vecchio, André Frateschi, Arrigo Barnabé, Gil Reyes, Paulo e Juvenal Campiolo (irmãos), Julia Porto (filha), Dunga Brunet, Guilherme de Almeida Prado, Imara Reis, Humberto Werneck, Zuza Homem de Mello, Julio Medaglia, Sábato Magaldi, Arnaldo Contier, João Batista de Andrade, José Possi Neto, Zé Pedro Antunes, Tato Fischer, Eduardo Dussek, Camilo Carrara, Omar Campos, Denise Stoklos, Victor Nosek, Osório Lemaire (Rádio Marconi), dentre outros, além, claro, da própria Cida. Outra fonte fundamental de pesquisa foi o acervo fotográfico da cantora, que arquivou durante mais de três décadas programas, fotos, desenhos, matérias de jornal, revistas, roteiros de shows aqui e fora do País. O livro traz grande quantidade dessas imagens, cujos autores, tais como Bob Wolfenson e Gal Oppido, em sua maioria, foram encontrados por Thiago para que autorizassem seu uso. Desse modo, a narrativa do livro foi ilustrada desde a infância, compondo, também ela, uma biografia visual bastante eficiente da artista que ficou associada à linguagem dos cabarés, revigorando no Brasil a obra musical de Bertolt Brecht, Kurt Weill, Tom Waits e muitos outros. Além disso, lançou-se a diversas searas e estéticas diferentes, propondo sempre um tipo de criação estimulante, desafiador e diversificado, tendo dedicado shows e discos de cunho bastante autoral a compositores como Chico Buarque, Cartola, George Gershwin, Cole Porter, e outros tantos. Escrito com a pena do entusiasmo e da admiração, o livro não deixou de ter sempre em vista a necessidade de uma metodologia de trabalho detalhada e capaz de dar conta dos erros e acertos da carreira da artista, o que não impediu, evidentemente, que o autor se manifestasse claramente em alguns momentos pontuais do texto, buscando seguir a melhor tradição do chamado Jornalismo Literário, e deixando explícito, com isso, o caráter subjetivo que inevitavelmente permeia um livro desta natureza

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    Thiago Sogayar Bechara14/02/2013Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    'A dona das canções' perfila com paixão Cida Moreira, cantora brasileira (Texto do crítico Mauro Ferreira, em seu blog Notas Musicais).

    É evidente a paixão com que Thiago Sogayar Bechara, jovem jornalista e escritor paulistano de 25 anos, perfila Cida Moreira ao longo das 288 páginas de livro recém-editado na Coleção Aplauso Música. Entretanto, tal paixão não dilui a objetividade do relato jornalístico da trajetória da cantora e atriz, feito com precisão em Cida Moreira - A dona das canções. Concluído em 2008, o trabalho de pesquisa e redação da biografia exclui - por conta da edição tardia do livro - toda a projeção obtida a partir de 2011 por Cida com o disco e o show A dama indigna, marco na carreira da intérprete. Mesmo sem alcançar esse último relevante trabalho de Cida, o livro se revela de suma importância por reconstituir os passos profissionais dessa cantora brasileira que tem feito ecoar sua voz operística com coerência, através das margens e frestas de mercado que costuma calar vozes dissonantes que rejeitam modismos e fórmulas de sucesso. Máxima representante nacional das saloon singers, Cida Moreira se impõe no perfil apaixonado de Bechara como uma cantora brasileira que extrapola os limites dos salões dos cabarés. Uma cantora brasileira que se consagrou como a principal voz nacional das canções dos compositores alemães Bertolt Brecht (1898 - 1956) e Kurt Weill (1900 - 1950). Mas que também deu voz a trilhas do cinema nacional, a modinhas dos tempos do Império, ao samba refinado do compositor carioca Cartola (1908 - 1980) - o Angenor tão bem cantado por Cida em belo disco de 2008 - e às músicas teatrais de Chico Buarque, cuja obra a artista abordou no CD Cida Moreyra canta Chico Buarque (1993), alvo de elogios do geralmente lacônico compositor homenageado. "...Mais uma vez, ela me surpreendeu pela inteligência e pela sensibilidade de suas interpretações. É um disco que escuto ainda hoje com muito gosto", confidencia Chico em depoimento ao autor do livro. Repleto de fotos do arquivo pessoal da cantora, Cida Moreira - A dona das canções expõe as várias faces de Maria Aparecida Guimarães Campiolo - paulista nascida em 12 de novembro de 1951 - ao longo da vida. Se os rostos são muitos, o amor pela música - manifestado já na infância e incentivado pelos pais de Cida - se revelou único, indissolúvel, eterno. Os estudos de piano foram iniciados na interiorana cidade de Paraguaçu Paulista - onde Cida cantou pela primeira vez, em 1957, aos seis anos, entoando o samba-canção Serra da boa esperança (Lamartine Babo, 1937) na Rádio Marconi - e continuados em Londrina (PR), parada posterior da artista em formação. Mas foi em outra cidade do interior paulista, Assis, que Cida começou a moldar sua personalidade artística, sempre no limiar entre a música e o teatro. Bechara detalha todo o envolvimento de Cida com grupos de teatro que, mais tarde, a levariam a dar os primeiros passos profissionais na carreira. Formada em Psicologia, Cida - ouvinte atenta das cantoras do rádio na década de 50 - chegou a exercer a profissão até que o trabalho com a música absorveu todo seu tempo e sua alma. Com trânsito livre pela cena underground de São Paulo (SP), a cantora montou shows - Summertime - Um show pra inglês ver (1979/1980), Serpente rara (1981), Arte (1984) - que sedimentaram seu estilo único e lhe garantiram público devotado, pequeno, mas fiel. Toda a caminhada dessa digníssima dama da canção brasileira está documentada no livro em relatos detalhados e em fotos deslumbrantes que falam por si só. Cida Moreira - A dona das canções é o atestado de que uma cantora pode construir carreira sem macular seu canto e sua Arte. Cida Moreira sempre foi dona do dom, da voz - e essa voz ressoa forte, inteira, firme, independente, na escrita passional desse livro digno de calorosos aplausos. Bravo, Cida Moreira! http://blognotasmusicais.blogspot.com.br/2013/01/a-dona-das-cancoes-perfila-com-paixao.html?spref=fb

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    Thiago Sogayar Bechara

    Paulistano de 1987, Thiago Sogayar Bechara é autor dos livros de poesia Impressões, publicação independente de 2002, e Encenações, lançado em 2004, pela Editora Zouk, com prefácio do jornalista Heródoto Barbeiro. Formou-se em Jornalismo pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e é pós-graduado em Jornalismo Cultural pela FAAP.Desde 2005, colabora com o Jornal Jovem. Atua como biógrafo e pesquisador nas áreas de música, teatro e cinema, além de ter sido apresentador do programa Memória Brasil, hospedado na TV UOL, onde entrevistou nomes como Beatriz Segall, Ana Lucia Torre, Humberto Werneck e Claudia Alencar. Tem desenvolvido estudos em torno de trajetórias como a do cantor e compositor Luiz Carlos Paraná (cuja biografia Luiz Carlos Paraná: O Boêmio do Leite foi lançada de modo independente em 2012) e foi assessor de imprensa da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo. Compositor iniciante, teve sua canção Minhas Janelas gravada pelo parceiro José Domingos, com arranjo e acordeom de Toninho Ferragutti e violão de Ulisses Rocha, no disco Santa Ignorância, de 2011; e também no disco José Domingos e Rafael Schmidt, do mesmo ano. Para a Coleção Aplauso, já lançou oa perfis Imara Reis: Van Filosofia (2010), e Cida Moreira: A Dona das Canções (2012); e pela editora Phorte, em parceria com outros autores, o livro Linguagem Corporal Circense. Em 2013, pela Editora Patuá, saiu sua coletânea de poemas inéditos Literatura de Quintal e em 2014, o trabalho independente Chang Loo Sih: A Química do Olhar. Recebeu o título de cidadão honorário de Ribeirão Claro-PR, além de outras homenagens e colaborações em periódicos da região. Vem participando de coletâneas organizadas pela União Brasileira de Escritores e se dedica a projetos de dramaturgia teatral, integrante grupos de estudos e leituras. Seu site: www.thiagobechara.com.br

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    São Paulo, Brasil

    Thiago Sogayar Bechara