Pedro conseguiu salvar sua Tuanã e seu filho Tuã, mas não conseguiu se salvar ou aos irmãos de sua aldeia. Naquele ataque quem não foi morto ou torturado teve sua liberdade arrancada. O homem branco chegou levando-os a um sentido que nunca imaginariam ser possível, trazendo dor, humilhação, sofrimento e raiva, uma raiva alimentada por todo os tipos de tortura, corrosiva á alma e ao espírito.
Levados, os escravos não tinham direitos. Estiveram no navio negreiro por vários meses, o cárcere de seus corpos e prisão de seus espíritos. Pedro assistia a seus irmãos serem torturados, inclusive ele próprio, e o pior, muitas vezes não sabia nem o motivo. Teve que presenciar seus amigos serem mortos, não podia fazer nada, era escravo, acorrentado pés, mãos e o corpo. Pensava e sofria, tinha ódio. Lembrava de sua terra Zambe, de sua amada e seu filho que não pode ver crescer.
"Mas os filhos que o Pai Maior nos dá. estes, se não soubermos cuidar, não se recuperam, e choramos pela falta de compromisso que não tivemos com eles."
Pedro em sua terra natal tinha sido treinado para ser curandeiro, temia os espíritos que não conseguiam livrar seus corações do ódio nutrido por tanto tempo, precisava perdoar, lembrava de seus deuses, e pedia proteção, as vezes desacreditava tamanha as crueldades que sofriam.
Desembarcando em terra firme, continuava seus sofrimentos, muitos escravos sendo punidos em praça pública. Os capitães tinham prazer na tortura, as vezes o faziam com sorriso no rosto, abandonavam o escravo a morte lenta e tortuosa.
A sinhazinha Ermelinda sofreu aborto de um filho do Pedro, que mesmo sendo escravo sucumbia ao desejo carnal .
O comendador Belar não era abolicionista mas era um homem visionário, sofreu muito com o desencarne de Sebastião, que depois de anos de servidão deixou saudade.
Em tempos de escravidão, a vida sofrida, viviam á base de tristeza e trabalho. Em Sabarabuçu a vida para os escravos era bem pior, os castigos, a fome, a total falta de qualquer sentido, o comendador Belar estava perplexo com o tratamento dado aos escravos, tanto que não se admirou de os donos estarem perdendo a autoridade com seus escravos.
"Na lavagem do ouro, os escravos tinham que trabalhar nus, pois assim não roubariam nenhuma pepita de ouro ou pó.
Imagine estar despido aos olhos dos senhores de engenho, trabalhando para os próprios terem tecidos belíssimos, feitos para fardá-los e ocultá-los da falta de amor!"
Será que mesmo depois de tanto sofrimento o perdão deveria ser liberado? Conseguimos perdoar setenta vezes sete? e os escravos, realmente eram homens sem alma, como afirmava a igreja? o homem encarnado muitas vezes é escravo de suas próprias ações e se torna prisioneiro de suas angústias.
Impressões: Gostei muito da história, aprendi um pouco mais sobre encarne e desencarnes, na verdade eu não tinha considerado antes de ler este livro. É um livro muito bem escrito, é fácil sua leitura, muito bem explicado, e com toda certeza um livro que deixam emoções fortíssimas. É muito difícil agente encarar a realidade, mas nos somos realmente escravos de nossas ações. Este é um livro que nos ensina a perdoar e nos mantermos puros, mesmo que tenhamos motivo para odiar.