Acredito ser um documento eclesial já datado, já que muitas de suas orientações já caducaram com o avanço dos estudos litúrgicos. O ano de aprovação do doc. 43 ajuda a entendê-lo bem: 1989. A reforma litúrgica do Concílio Vaticano II ainda era bem recente e o contexto eclesial da época (principalmente no Brasil) era bem progressista. Por isso, há muito espaço para certas "criatividades", que hoje não são bem vistas (como por exemplo, a substituição dos textos litúrgicos no canto do ato penitencial é incentivada). Não podemos, entretanto, cair numa leitura anacrônica deste texto. O documento é registro histórico da história da recepção da reforma litúrgica no Brasil no pós-concílio. Ele próprio se reconhece como esforço de organizar a pastoral litúrgica no país após um período de testes e experiências. Nesse sentido, há um claro avanço. Como exemplo disso, os bispos reconhecem que é hora de abandonar os cantos meditativos e valorizar o salmo responsorial (embora permitam que seja substituído por outro ou por refrão orante). Muitas das indicações desse documento estão presentes em nossas comunidades eclesiais até hoje. Aí está um outro motivo importante para lê-lo: ajudar a entender nosso prática litúrgica atual. Aliás, muitas de suas proposições são válidas e nem sempre cumpridas por nossas comunidades. O convite a uma sadia criatividade litúrgica, ao discernimento pastoral e à adequada preparação das comunidades feito por nossos bispos em todo o texto é um esforço sempre válido e muito necessário hoje.

