Em português, O Conto do Ladrão de Corpos, abarca quase quinhentas páginas recontando nas palavras de Lestat sua aventura no mundo dos Vivos.
Tão bom quanto O Vampiro Lestat, decididamente melhor que A Rainha dos Amaldiçoados, a história trata sobre um encontro com um paranormal, James, capaz de possuir corpos. Essa é a premissa para uma jornada intimista em que o protagonista lida emocionalmente com os eventos predecessores ao mesmo tempo em que sopesa a não-vida.
Então, são alguns momentos inusitados de assombro e maravilha, e várias e várias páginas do nosso vampiro reclamando sobre a indignidade, sujeira, desgosto, incapacidade e inabilidade de um corpo vivo.
Anne Rice também retoma a abordagem mais tradicional, eurocêntrica do mito vampiresco. Ela não ignora os escritos anteriores, porém dá especial cuidado ao dilema moral a que o personagem sempre se refere: ser bom ou ser mau, ou de uma forma mais filosófica, a existência ou inexistência divina.
Agindo como contraponto para Lestat, temos a presença de David (o agente da Talamasca que apareceu no livro anterior) e o fantasma de Claudia (que assume a forma de um fantasma aos moldes de Consciência personificada).
Contudo, esse não é um livro sobre redenção. Lestat continua sendo o príncipe dos vampiros e, portanto, malcriado, temperamental, mimado, impulsivo e aterrorizante.