A Conquista do Acre -

    Pimentel Gomes

    Expressão Gráfica e Editora
    2005
    350 páginas
    11h 40m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro

    A CONQUISTA DO ACRE é um romance-histórico sobre a revolução acreana e a principal obra do cearense Pimentel Gomes. A meu ver, dentre as obras de cunho literário que retratam a 'saga' da Revolução Acreana, essa é uma das principais. A importância desse romance se dá pelo fato de que Pimentel Gomes para compô-lo se utiliza de depoimentos de muita gente que havia participado da luta pela conquista do Acre que ainda residiam em Rio Branco por volta da década de 1940. Dessa forma, obteve um grande número de informações acerca da campanha do Acre, além de datas dos acontecimentos principais, bem como o nome dos principais chefes e companheiros de Plácido de Castro e de chefes bolivianos. É a partir de todos esses dados reais que Pimentel Gomes compõe A CONQUISTA DO ACRE. O romance está dividido em trinta e nove capítulos e escrito com personagens fictícias e com fatos ambientais reais. O autor ressalta ainda, a efetiva participação dos cearenses, no desenrolar dessa “epopéia” patriótica, transformando-se ele mesmo em personagem do próprio enredo, descrito com detalhes instrutivos e em forma de viagem, cujo ponto de partida é o sítio Mata-Fresca, na serra cearense da Meruoca, e cujo ponto de chegada é o seringal acreano de Bela-Flor, lugar onde os brasileiros venceram a batalha final.

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    Amapá e Amazônia picture
    Amapá e Amazônia14/12/2017Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    "Embora o livro de Pimentel Gomes se constitua numa narrativa que flui agradavelmente, sem maiores exigências feitas ao leitor, certo preciosismo verbal e alguns torneios de frase mais sofisticados fazem supor a frequentação dos clássicos pelo Autor, decerto grande leitor, assim como é possível identificar a inspiração que bebeu na obra de Euclydes da Cunha, outro apaixonado da Amazônia, que ambos conheceram pessoalmente e de modo aprofundado. Desde logo, percebemos que o autor emprega o artifício literário de instituir um narrador em discurso direto, criando uma personagem nascida na Serra da Meruoca e que, convidado a partir para a aventura dos seringais amazônicos, enuncia na primeira pessoa os acontecimentos que desdobram a trama da história. Entretanto, com bastante frequência, o autor esquece esse dispositivo literário e desliza para o discurso indireto, em que as digressões culturais, as reflexões quase didáticas e pormenorizadas de aspectos das cidades, da natureza, etc., revelam o professor e pesquisador por baixo da pele do ficcionista. Efetivamente, surpreendemos um tom explicativo que percorre toda a narrativa e onde o autor não consegue se ocultar. Ou ainda, ao criar circunstâncias pouco verossímeis, quando o simples sertanejo da Meruoca, descrito no início da obra, no decorrer da viagem, ao passar por Belém, faz descrições precisas de coisas existentes aí e das quais não tinha conhecimento, ou se interessa por visitar o Museu Goeldi de História Natural. Estranho matuto! Insisto no fato. A toda hora, sobretudo nas descrições da paisagem amazônica que sendo descoberta no longo percurso rio acima, o autor se trai na fala do narrador e personagem central - Guilherme Aroeira. É interessante assinalar que nesses deslizes o leitor surpreende os méritos do intelectual de valor que havia em Pimentel Gomes, ao mesmo tempo que isso revela alguma falha do ficcionista. E uma dessas falhas reside na riqueza do léxico que o escritor põe na fala do narrador, dificilmente capaz de tal proeza. Enfim, além dos fatos apontados, a precisão das referências e informes geográficos e outros, mais uma vez desvelam o estudioso, que tudo anotava, escondido na pele de sua personagem. Por vezes, porém, o didatismo explicativo reduz o encanto e a vivacidade da narrativa. Por outro lado, o autor atinge, noutros momentos da narrativa, páginas de uma beleza extraordinária. Sua ousadia em se aventurar em terreno tão difícil e a generosa iniciativa dos que decidiram reeditar essa obra densa e bem articulada só merecem o reconhecimento dos leitores." Trecho do artigo de EDUARDO DIATAHY B. DE MENEZES

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