Uma coleção de um gênio.
É complicado escrever uma resenha de um volume de obras reunidas de um autor, tarefa que se confunde mais ainda conforme livros são adicionados ao total. O primeiro e, na minha opinião, melhor volume das obras completas do grande escritor argentino Jorge Luis Borges é lotado de livros. Contendo os livros: Fervor de Buenos Aires, Inquisiciones, Luna de enfrente, El tamaño de mi esperanza, El idioma de los argentinos, Cuaderno San Martín, Evaristo carriego, Discusión, Historia universal de la infamia, Historia de la eternidad, Ficciones e El Aleph, o livro aborda boa senão todos os estilos de escrita de Borges. Passando de poesias até ensaios e contos, ele traça um panorama da evolução do autor e de seus recorrentes temas, culminando nos seus dois trabalhos mais conhecidos: Ficciones e El Aleph. Borges tem o dom das palavras. Sua prosa é sempre leve e suave, sem perder em momento algum a profundidade conotativa de seus significados. Como um mestre, ele insinua e até escancara diversas hipérboles filosóficas e testes de abr agencia em seus textos. Por vezes, para passar sua mensagem, passa do maior para o menor. De situações extremas, como no conto Tlon, Uqbar, Orbis Tertius para explorar situações ou hipóteses menos grandiosas ou de outras menores, como na historia universal da infâmia, onde traça biografias falsas e aborda dilemas morais universais, Borges está sempre cercado de uma grandiosa imaginação. Seus desdobramentos parecem sempre serem pautados na eternidade e infinitude das coisas, situações atemporais e eternas, sem começo nem fim. Poeticamente, não sou tão fã assim. Ele, como era de se esperar de um grande autor, faz boas poesias que, contudo, não me chamam muito. Gosto de sua descrição poética de Buenos Aires, mas não é tão importante e trabalhada como seus contos. Ainda que seja, na minha opinião, um contista por excelência, Borges possui também o dom dos ensaios. Se a sua erudição é mais contida em seus contos, até para fins de universalidade, JLB se permite em seus ensaios. Tira todas as medidas e, livre, expande em muito os conceitos abordados em seus contos. Como sempre, muitos tratam de questões temporais da filosofia mas, nesse caso, de maneira mais profunda. Se os contos impressionam, deixam sem palavras e incitam pequenas mas importantes reflexões, os ensaios são a aula seguinte. Trazem, muitas vezes, o esclarecimento do raciocínio de Borges. São leituras complementares, eu diria, que traçam o panorama da mente desse grande escritor do século XX. Para isso nada melhor do que adquirir as obras completas. Para fins brasileiros, o espanhol de Borges não é dos mais rebuscados. O autor tem um espanhol sem muitos maneirismos, o que facilita o entendimento dele para um leitor menos acostumado. Essa característica, porém, já foi motivo de tristeza para Borges, como evidenciado em alguns textos em que defende a lingua argentina diferente do espanhol ibérico, ainda que muitos dos defensores de um castelhano puro o apontassem como um escritor suis patria. Independente de suas escolhas, talvez por ter tido muito contato com o inglês, Borges não ousa muito na linguagem, preferindo deixar suas marcas nos seus temas. Melhores livros, na minha opinião: Ficciones, historia universal de la infamia, inquisicione e discusión.
