Baixo Astral -

    Alberto Fuguet

    Record
    2001
    304 páginas
    10h 8m
    ISBN-10: 8501056014
    Português Brasileiro

    Nas areias do posto 9, em Ipanema, Matias Vicuña conjectura sobre seu próprio tédio. Onze dias depois, no Cerro San Cristóbal, em Santiago do Chile, Matias Vicuña constata que sobreviveu. Matias Vicuña, 17, é, em parte, o alter ego de Alberto Fuguet, 37. Ele protagoniza o primeiro romance do escritor chileno, "Mala Onda", que a Record lança sob o título de "Baixo Astral". A ação se passa em 1980. Enquanto vemos o jovem Vicuña se meter num vórtex existencial (embalado a muita droga e algum sexo), acompanhamos os dias que antecedem o plebiscito que garantiria a permanência no poder do general Augusto Pinochet -que, sete anos antes, depusera o socialista Salvador Allende.

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    Zeka Sixx12/05/2020Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Aqueles que se deram bem - ou nem tanto

    O romance aborda um período de cerca de dez dias na vida de Matías Vicuña, um jovem chileno de 17 anos, de família abastada, durante o mês de setembro de 1980, às vésperas da votação do referendo que levou à aprovação de uma nova Constituição para o país, elaborada sob medida para que os setores mais conservadores da sociedade pudessem se manter no poder, mesmo depois do fim da ditadura. O livro começa com o protagonista vivendo o último dia de uma viagem de férias escolares ao Rio de Janeiro, regada a muita bebida, drogas, sexo e música. Ao retornar ao Chile, Matías entra em uma espécie de ressaca espiritual, uma preguiça de tudo e todos, ao ir aos poucos percebendo a futilidade de seus colegas de escola, das garotas com quem ficou ou com quem queria ficar, da falsa moralidade de sua família, do conformismo de seu país com a situação que estava vivendo. Encurralado, embarca em uma viagem regada a drogas e rock 'n' roll - da melhor e pior qualidade, em ambos os casos - pela noite de Santiago, enquanto tenta encontrar algo, qualquer coisa, que dê um novo sentido à sua vida. A originalidade do romance está em, de certa forma, fazer o oposto de outros livros que se passam em épocas de ditaduras. Ao invés de narrar a situação daqueles que foram prejudicados/perseguidos pela ditadura, como geralmente ocorre, narra o lado de quem "se deu bem", de quem ascendeu socialmente durante o regime de Pinochet, como a família do protagonista - ainda que, ao longo das páginas, o próprio Matías vá amadurecendo e criando consciência das claras consequências que a alienação da parcela mais rica da população trouxe ao seu país. Lançado originalmente em 1991, e recheado de niilismo e citações à cultura pop, é um verdadeiro clássico da literatura latino-americana, que remete a outras obras-primas do gênero, como "O Apanhador no Campo de Centeio", de J.D. Salinger, e "Tanto Faz", de Reinaldo Moraes. Já entrou, merecidamente, para a minha galeria de favoritos.

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