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    As cartas de Amabed -

    Voltaire

    Ridendo Castigat Mores
    2001
    114 páginas
    3h 48m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro
    4.5
    10 avaliações
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    As cartas de Amabed carregam o mesmo estilo do pensador, que as obras didáticas insistem em classificar entre os iluministas e racionalistas. Falando a sério: século XVIII, na Inglaterra, explodiam os romances em forma de correspondência. Voltaire não simpatizava muito com essa moda, escreveu Amabed como paródia do gênero literário e o fez com a genialidade que lhe era peculiar; valorizou o estilo. A perspicácia, o humor irreverente, a sátira sutil ou grotesca continuam presentes.

    Resenhas (1)Ver mais
    Pablo Vitorio Isganzella Gramazio picture
    Pablo Vitorio Isganzella Gramazio15/10/2013Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Um ataque à ignorância.

    Voltaire, seja em qual estilo literário for, é um autor que merece a máxima atenção. Verdade seja dita: seu pensamento era nada menos que genial e seu texto simplesmente fantástico; lendo suas obras, é difícil não perceber que se tratam de escritos realizados por alguém possuidor de uma sabedoria extrema. Ele era um espírito diferenciado, um verdadeiro e inigualável usuário da razão – em uma época que, até mesmo mais que a nossa, era dominada pela ignorância. Em "As Cartas de Amabed”, o pensador francês tripudia da religião católica e da soberba européia; ele demonstra e humilha, através de inúmeras passagens memoráveis, muito do que contaminava – e, infelizmente, ainda contamina – o pensamento do gênero humano. Com seu sempre recorrente e fascinante discurso em prol da tolerância, Voltaire ataca a ânsia da igreja de Roma em converter àqueles possuidores de outras crenças, e, também, a febre colonizadora (destruidora) européia. Ora, o que mais idiota do que acreditar na superioridade inerente de seu credo perante todos os outros, de sua cultura perante todas as outras? O que mais insano e contra a razão pode existir? É a pura imbecilidade humana, e ela não merece o menor respeito ou consideração, não mesmo; pois essa imbecilidade não é inofensiva, ela é vil; é aquilo que limita o desenvolvimento, é aquilo que causa o sofrimento e a barbárie; é simplesmente injustificável e inaceitável, ao menos para qualquer ser que tenha a audácia de se dizer “racional”. Por fim, de negativo neste trabalho, talvez só possa ser citado seu fim abrupto; mas não que isso seja algo necessariamente ruim – é bem provável que a aparência de obra inacabada inclua alguns significados que ainda não compreendi adequadamente –, afinal, a mensagem do autor já havia sido passada e, apesar de tudo, consigo viver sem desfrutar de mais algumas das magníficas páginas escritas por Voltaire.

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    François-Marie Arouet profile picture

    François-Marie Arouet

    Voltaire foi um escritor, ensaísta, deísta e filósofo iluminista francês, conhecido pela sua perspicácia e espirituosidade na defesa das liberdades civis, inclusive liberdade religiosa e livre comércio. Voltaire foi um escritor prolífico, e produziu obras em quase todas as formas literárias, assinando peças de teatro, poemas, romances, ensaios, obras científicas e históricas, mais de 20 mil cartas e mais de 2 mil livros e panfletos. Ele foi um defensor aberto da reforma social apesar das rígidas leis de censura e severas punições para quem as quebrasse. Um polemista satírico, ele frequentemente usou suas obras para criticar a Igreja Católica e as instituições francesas do seu tempo. Voltaire foi um dentre muitas figuras do Iluminismo cujas obras e idéias influenciaram pensadores importantes tanto da Revolução Francesa quanto da Americana.

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    François-Marie Arouet