Na noite de 28 para 29 de junho de 1944, Moura, Bonventi, Raul Rosa, João Léo e mais trinta e quatro bragantinos estavam entre os milhares de recrutas que jogavam o saco A nas costas e caminharam para os vagões sem luz e com janelas cerradas, pilheriando e se queixando do peso da bagagem, enquanto o saco B era despachado com peças de roupa e equipamento de reposição. Mas, ainda que caçoassem ou fizessem pouco, um pensamento os incomodava: “será hoje?” Quando o trem parou no Cais do Porto, nas proximidades da Praça Mauá, se encaminharam para a área de embarque, totalmente isolada, e tentavam ler no rosto dos policiais militares que os cercavam a resposta para a dúvida que os afligia. A visão do enorme navio de transporte, com suas escadinhas estreitas que pareciam levar a um patíbulo, só aumentou o mal-estar. Um vazio no estômago, misturado a uma estranha excitação, foi acometendo a todos ao se darem conta do quanto era precário o domínio da própria vida.