A resenha de hoje é sobre Covet. Eu li esse livro tem bastante tempo, mas foi uma história que de certa forma me marcou, eu gostei tanto da narrativa da autora que eu li todos os livros dela na sequencia. Tracey Garvis-Graves também é a autora de Na Ilha, livro lançado aqui no Brasil pela editora intrínseca.
Covet narra à história de Chris, Claire e Daniel. Não é um triângulo amoroso, mas quase isso. Chris e Claire são casados, tem dois filhos, uma vida organizada e um casamento feliz. Até que ele perde o emprego. No início eles se mantêm com as economias, mas claro, gastos superfulos são cortados.
Claire lida muito bem com isso, ela dispensa a faxineira, compra a roupa para as crianças em lojas mais baratas e volta a trabalhar como designer, assim ela pode ganhar um dinheiro extra e ainda cuidar da casa e dos filhos.
Nessa crise que ela redescobre o gosto pelo trabalho e decide continuar a carreira mesmo quando a situação financeira do casal voltar ao normal, porém é Chris que não se sente confortável vendo a família passando por esses pequenos “apertos”. Ele continua incessantemente buscando emprego e vai cada vez mais se isolando, fica trancafiado no escritório de casa buscando uma solução.
Em uma casualidade da vida que Claire e Daniel se conhecem e aos poucos eles vão se aproximando. Claire está carente pela falta de atenção do marido que está completamente focado na busca por emprego. Ela sente que ela não tem com quem dividir as angustias, o pior para ela, não é a falta de dinheiro, mas sim, a falta de companheirismo de Chris. E ela vê em Daniel uma válvula de escape.
“Maybe that’s how it starts. You stumble upon something that helps you cope, fills a void. Makes you feel something different than what you currently feel. You know in the long run it probably won’t be good for you, but you do it anyway. Tell yourself you can handle it.”
É a amizade com Daniel que a ajuda lidar com esses problemas, mas ela sabe que essa amizade está se transformando em algo mais, e que existe uma linha – que as vezes não está muito clara – entre a amizade deles e traição. Claire em nenhum momento quer trair Chris, nem Daniel quer que ela o faça. Mas a fragilidade do casamento deles faz com muitas vezes ela se sinta atraída por Daniel.
“I wonder how many marriages are fractured and damaged beyond repair by complacency rather than any single traumatic event. One day you wake up and realize that the distance between you and your spouse has grown to such an enormous width that neither of you are capable of clearing the distance. No matter how much speed you build up, or how far you can jump, it’s just there. Gaping and unforgiving.”
Mas conforme vamos chegando ao final do livro, pelo menos eu, fiquei com a impressão que foi Daniel que salvou o casamento de Chris e Claire, ele conseguiu ser para Claire o que Chris havia deixado de ser, ele foi o companheiro e confidente dela durante esse tempo. Talvez, sem essa amizade, o casamento deles não tivesse resistindo, talvez a distancia entre o casal nunca fosse superada.
Eu gosto muito da narrativa da Tracey Garvis-Graves, acho que ela escreve de forma belíssima, envolvendo o leitor, com histórias reais que poderiam acontecer com qualquer um, mas que te fazem refletir, deixando de lado os machões e os clichês.