Eu e minha incrível habilidade de ler livros ótimos e não saber falar decentemente sobre eles depois. Estou numa baita ressaca literária por causa desta obra em questão, e acho que vai ser difícil sair dela. Foi pura curiosidade que me fez comprar O Fim de Todos Nós, para falar a verdade. Já tinha ouvido falar sobre, mas nada relevante demais, e o encontrei por acaso na livraria. Optando por ele ao invés de Partials, achei que estava me arriscando, já que sobre Partials eu já tinha mais conhecimento, mas achei bom mesmo assim. E não é que deu muito certo?!
O vírus tem uma voz, e não é muito feliz..
O Fim de Todos Nós é um livro muito profundo, ligeiramente desolador, mas que combina esses sentimentos devastadores com uma bela pitada de esperança. A história é narrada por Kaelyn no formato de um diário. Ela descreve os acontecimentos na ilha onde mora de maneira a relatá-los para um grande amigo que se mudou para longe; ela espera que possa se redimir com ele dessa maneira, já que houve uma briga que os separou por um longo período.
Tudo parece normal na vida de Kae até que uma estranha doença começa a se alastrar pelos moradores de sua pequena ilha, doença causada por um vírus desconhecido e muito perigoso, responsável por tirar as inibições das pessoas. Ao mesmo tempo em que seu organismo definha, você perde a capacidade de controlar o que fala, de modo que pode ofender quem odeia ou mesmo quem ama.
Cada vez que olho em volta, mais alguma coisa se quebrou.
Acho que essa foi a compra sem querer mais proveitosa que eu já fiz na vida. Devorei o livro em dois dias e ele entrou para a minha lista de favoritos. A narrativa é leve e regada de frases intensas. Temos personagens muito bem construídos, como Kaelyn, cuja missão durante o livro te trás orgulho pelo crescimento que ela teve, ou Gav, que aparece lá pela metade. É um rapaz muito bem intencionado e que busca um melhor pela população daquela malfadada ilha. Na verdade, a partir do momento em que a epidemia se torna algo catastrófico a ponto de o governo isolar a população em quarentena, vemos uma luta entre a honra e a sobrevivência. Conhecemos a dura realidade do que seria estar dentro de um local isolado do mundo, onde o contato com o exterior foi cortado e o pesadelo da contaminação te rodeia no ar.
Mas não importa como aconteceu [...] Só quero que isso acabe. Quero que as lojas reabram e que as pessoas possam conversar sem máscaras cobrindo-lhe os rostos, e que mais ninguém morra, nunca mais.
O clímax do livro foi surpreendente, e deixou aquele gostinho de quero mais. Megan Crewe conduziu o livro com maestria, me cativou em cada capítulo, sem falhar em nenhum momento. Houve suspense, drama e romance na medida certa. Ah, sobre o romance, deixa eu apenas comentar que MY SHIP IS A CANON, PEOPLE! Não, eu não poderia ficar essa resenha toda quieta sem comentar que o casal que eu shippava se tornou real. Megan, eu te amo, sério.
Minha personagem favorita foi, sem sombra de dúvidas, a Kaelyn. Ela é determinada, tem medo, mas quer mudar isso. Kae quer ser forte para ajudar quem ela ama, mas sabe que não pode fazer de tudo para salvá-los. Tem o pé no chão e grande coragem, além de muita esperança. Gostei da maneira como Megan conduziu sua evolução durante as mais de duzentas páginas do livro.
Se eu voltar, talvez erre outra vez. Mas talvez ajude, mesmo que minimamente [...] Talvez eu não seja boa em praticamente nada além de observar, porém às vezes, quando olhamos, vemos coisas que do contrário não teríamos percebido. Coisas importantes. Como o que realmente é assustador aqui, e o que a pessoa que sou pode fazer para ajudar.
São tantos os meus trechos favoritos nesse livro que fica até difícil controlar quais colocar aqui, mas optei pelos que realmente me marcaram. Esse último, em especial, devido à cena em que Kaelyn está presente.
Leiam esse livro e o façam com o olhar atento, porque ele tem uma incrível habilidade de mexer com seu psicológico. O Fim de Todos Nós é altamente recomendável.
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Esta resenha foi feita por Denise Flaibam, membro do blog 'Só mais um', e a reprodução integral ou parcial da mesma é proibida. Plágio é crime.
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