Jack London: Uma Vida -

    Alex Kershaw

    Benvirá
    2013
    424 páginas
    14h 8m
    ISBN-13: 9788582400081
    Português Brasileiro

    Jack London tinha um jeito muito particular de escrever seus livros: só conseguia colocar no papel as aventuras que vivia na própria pele. Por isso, sua vida sempre se misturou com a ficção e vice-versa. Sua viagem para o Alasca em busca de ouro, por exemplo, serviu de base para Caninos brancos e O chamado selvagem, dois clássicos da literatura norte-americana. Jack London era fascinado pela natureza, por ideias e por uma mulher em especial. Compulsivo, comia, bebia, lia e escrevia em quantidades colossais. Quando resolveu comprar uma fazenda, almejava ter uma propriedade imensa e a mais moderna. Ao investir em um barco, assumiu dívidas que não podia pagar. Escrevia para ganhar dinheiro e o fazia sem olhar para trás – produzia com a mesma gana que o levou a cruzar o Pacífico. No fim, sua compulsão era por drogas analgésicas que remediavam as dores causadas por uma doença nos rins. Por tudo isso, ler sua biografia é como mergulhar na sua mais audaciosa peça literária. Ele morreu com 40 anos em 22 de dezembro de 1916. Teve uma vida curta, coerente com suas palavras: “Não desperdiçarei meus dias tentando prolongá-los. Usarei meu tempo”.

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    jota 1108/11/2015Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    A melhor história...

    Sobre Jack London, que morreu com apenas quarenta anos em 1916, alguém escreveu que sua melhor história era a história de sua própria vida. De fato, contada aqui por Alex Kershaw, lê-se esta biografia como um grande livro de aventuras. Apesar de curta a vida de JL foi toda aventureira, ou atribulada, desde cedo até seu final. Por isso é que alguns de seus melhores livros parecem tão verdadeiros; aquilo que ele sentiu na pele, os infortúnios por que passou, tudo isso ele consegue transmitir integralmente ao leitor. Não apenas escreveu muitas obras (também comia e bebia compulsivamente); igualmente foi um grande leitor. Leu e foi influenciado por Karl Marx (foi filiado ao Partido Socialista Trabalhista por vários anos), Freud e Jung. Baseou sua errônea crença na superioridade do homem anglo-saxônico nas leituras que fez de Herbert Spencer, Charles Darwin e Friedrich Nietzsche (deste, Kershaw diz que London entendeu tudo errado). Amava os livros de Robert Louis Stevenson (A ilha do tesouro), Herman Melville (Moby Dick e Taipi), Joseph Conrad (O coração das trevas), Gustave Flaubert (Madame Bovary), Rudyard Kipling (A luz que se apagou) etc. Quando saía de viagem em seu barco sempre levava muitos livros consigo. Constantemente relia os autores citados. O autor de Martin Eden - que em grande parte é sua própria história disfarçada de ficção - deu ao mundo alguns espetaculares livros de aventuras, sua especialidade. Destacam-se Caninos brancos, O lobo do mar e, claro, uma das mais empolgantes obras do gênero, O chamado selvagem (também conhecida como O chamado da floresta), que teve mais de oitenta traduções mundo afora. Escreveu ainda reportagens e muitas histórias curtas e contos. O volume organizado por Vinicius de Moraes e reeditado pela Ediouro em 2004, Contos Norte-Americanos: Os clássicos, traz um de seus melhores contos, talvez o mais emocionante do volume: Acender um fogo - um dos preferidos do nosso grande Moacyr Scliar (vide Leituras de escritor). Bem, a biografia de JL escrita por Alex Kershaw é interessante, envolvente, excelente. London, se estivesse vivo, certamente a aprovaria. Lido entre 30/10 e 08/11/2015.

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