Depois do apogeu multissecular da complexa sociedade grega, a cosmovisão cristã (um dos berços do expoente máximo da homofobia a partir do século IV) levou à fogueira incontável número de gays e lésbicas, pelo simples ''pecado'' de existirem de forma ''imunda'' e ''bestial'' (Tomás de Aquino), ''difamando e caluniando a Deus'' (Epístola de São Paulo aos Romanos). Este livro permite entender como esses princípios grassaram nos âmbitos da lei, da prática médica e da consciência social e como a questão do sexo passou da proibição à normativização política, econômica e técnica (século XVII), alimentando invariavelmente máquinas de biopoder, onde um grupo controla outro desde normas sexistas, processo bem elucidado por Francisco Fianco, com base em Foucault, no Capítulo V. E também mostra a história do movimento LGBT, do feminismo nas relações internacionais e os avanços e retrocessos pontualmente condicionados, mas, sobretudo, significativos para entender a reafirmação da homoafetividade como condição natural, normal e amoral, porém ainda carente de proteção jurídica, rituais de transição e respeito, sendo, inclusive, suscetível a problemas normais que qualquer casal tem, no amor, na família e na sociedade. A base da ressignificação pretendida para a homoafetividade reside nos novos conceitos de sexo, identidade de gênero, orientação e prática sexual, os quais, enquanto entendidos como determinantes um do outro, sempre suscitarão o espezinhamento da espécie humana em algum aspecto. Ora, pois, em pleno século XXI, ainda há países que consideram a homoafetividade crime, sendo, em alguns, passível de pena de morte. Isso são brasas de outros tempos ardendo hoje em forma de preconceitos. Logo, se a escola, como sugere Adriel Scolari, no Capítulo IX, assumir seu papel de agente de mudanças e construtora de novos padrões de aprendizagem condizentes com sua época, será possível desestabilizar crenças racistas, sexistas, misóginas, homofóbicas e outras igualmente excludentes. E, somanando a isso os profundos e sutis entrelaçamentos dos âmbitos filosóficos, antropológicos, sociológicos, médicos e evolucionistas possíveis neste livro, chega-se a um horizonte que permite ver esses fenômenos como os últimos estertores de uma sociedade heteronormativizada aplacada frente à liberdade e sensatez de raciocínio, na exata proporção em que a brasa um dia vira borralho.
filosofia e homoafetividade -
Nadir Antônio Pichler, Lutecildo Fanticelli, Edimarcio Testa, Édison Martinho da Silva Difante, Francielle Moreira Cassol, Frederico Santos dos Santos, Francisco Fianco, Marcelo José Doro, Ediovani Antônio Gaboardi, Cínthia Roso Oliveira, Icaro Bonamigo G
Méritos
2012
232 páginas
7h 44m
ISBN-13: 9788582000113
Português Brasileiro
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