Mario Jacoby
Mario nasceu em 1925 em Leipzig, na Alemanha. Quando tinha apenas quatro anos, seus pais se divorciaram e ele foi viver com parentes na Suíça. Sua mãe foi viver na Palestina, esperando que Mario fosse se juntar a ela posteriormente, o que nunca aconteceu, devido ao início da segunda guerra mundial. O pai de Mario, tendo permanecido na Alemanha, acabou se tornando em uma das vítimas do Holocausto. Forçado a permanecer na Suíça, Mario Jacoby acabou estudando para se tornar um violinista clássico. Procurou Jolande Jacoby para análise terapêutica pessoal e através de sua análise decidiu a se tornar analista e procurou o Instituto C.G.Jung de Zurique para fazer sua formação.
Com o passar dos anos, Mario se tornou um professor da maior importância na formação de inúmeras gerações de analistas no Instituto C. G. Jung de Zurique e também em diversos outros países, na Europa do Leste, nos Estados Unidos e no Brasil. Em todos os países por onde passou deixou a marca de sua sensibilidade, observação clínica refinada e cultura diferenciada.
As difíceis experiências ainda em criança em seu próprio processo de individuação fizeram com que Mario Jacoby valorizasse de modo especial as relações infantis como elementos importantes na estruturação do ego. Pode então, a partir daí, fazer criativas pontes teóricas entre a psicanálise e a psicologia analítica. Aprofundou os aspectos significativos da transferência do ponto de vista junguiano, bem como se preocupou em fazer associações entre a psicologia analítica e conceitos da psicanálise, de modo especial, os conceitos de Heinz Kohut. A esse estudo aprofundado da transferência e do setting terapêutico, Mario sempre associou uma sensibilidade musical, um ouvido e uma receptividade próprios do violinista sensível. Lembro-me de Mario assim: uma mistura harmoniosa do músico-analista, atento às tonalidades emocionais do discurso de seu paciente, com plena atenção, mantendo sempre uma escuta plenamente afinada e amorosa com o discurso do seu paciente e a musicalidade de sua emoção.
Walter Boechat
Fonte: www.ajb.org.br